Caso Flávio: a falsidade ou veracidade dos depoimentos

Foto: Reconstituição

O que mais ouviu se falar nos últimos dias por parte da mídia local, foram de inconsistências e contradições nos depoimentos dados à polícia pelos acusados de envolvimento no caso do assassinato do engenheiro Flávio Rodrigues. Porém, ninguém até hoje consegue explicar ao Radar de onde vêm essas informações sobre os tais “furos” nos depoimentos dos acusados, já que a polícia jura de pé junto que as investigações transcorrem sobre sigilo. Mas, apesar da dita alegação de sigilo, um ou outro veículo de comunicação, coincidentemente – será meu povo? – os de linha editorial visivelmente contrária à Prefeitura de Manaus, sempre conseguem “com exclusividade” informações ditas verídicas sobre o inquérito policial.

Mas, essas informações não parecem verídicas quando se lê os depoimentos de cada um dos acusados de envolvimento no assassinato de Flávio Rodrigues. E essas informações sempre deixam o prefeito Artur Neto e sua família como os vilões da história, que estariam tentando escamotear a verdade e esconder os culpados.

Porém, desculpe-me quem tem interesse em ver o circo de Arthur Neto pegar fogo, mas assumindo a tarefa de fuçar os detalhes dessa história, os depoimentos são extremamente esclarecedores e não consegui ver de onde certas pessoas tiraram as contradições. Os depoimentos traçam uma linha do tempo fidedigna, onde Flávio aparece pela primeira vez na manhã de domingo, quando Magno diz ter encontrado alguém com o codinome de Junior Gordo que ele conhecia há dois anos. Isso teria ocorrido no Bar Boemia e Magno diz ter se juntado ao grupo que estava com Junior Gordo (Flávio,Pakalolo e Mathues).

Os depoimentos também são semelhantes quando falam de que Flávio foi levado a casa de Alejandro, no condominio as 11h35m da manhã de domingo. Os porteiros do condomínio confirmam isso. Os detalhes de horários em que os rapazes iam e voltavam do condomínio ou consumiam drogas e álcool também não são discordantes.

O momento mais terrível dessa história, a morte do engenheiro Flávio Rodrigues, também é contado de forma semelhante pelo PM Elizeu, na época funcionário da Casa Militar da Prefeitura (agora demitido), responsável pela segurança do prefeito e de seus familiares e pelo ex-PM Mayc que o acompanhava naquela noite do crime, único que até agora confessou ser o autor do assassinato. Eles falam como se tivesse acontecido um susto malsucedido, como se tivessem a intenção de dar uma prensa em Alejandro e seus colegas e a situação tivesse saído do controle.

É logico que, alguém como eu, que passou anos como repórter de polícia vê com estranheza certas coisas, como por exemplo: se queriam dar um susto porque não pararam e se identificaram quando a situação descambou pra violência? Se dizem que Flávio estava vivo quando saiu do condomínio e que iriam liberá-lo porque acabou morto? Mas, não cabe a mim e a nenhum jornalista fazer presunção de inocência ou culpa. Isso cabe a polícia e a Justiça.

O que se conseguiu ter acesso foram aos depoimentos dos envolvidos e de quem assumiu ser culpado pela morte do engenheiro Flávio Rodrigues. É o que temos, por enquanto, para avaliar! E os depoimentos não dizem nada da maioria das especulações feitas por determinados veículos de comunicação. E para que você tenha um parâmetro também pra avaliar o que é fake e o que realmente tem relação com o depoimento dos envolvidos, o Radar conta uma parte dessa história com base nos depoimentos de Elizeu e Mayc.

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