Casos de suicídio aumentam no Amazonas e especialistas afirmam que isolamento social devido a pandemia contribuiu

Foto: Clóvis Miranda/DPE-AM

Especialistas em saúde mental alertam sobre o crescimento de casos de suicídio durante o período de pandemia no Amazonas. Sentimentos de desvalorização, solidão, desamparo e desesperanças afetam principalmente crianças, adolescentes e idosos dentro do contexto da pandemia de Covid-19.

Segundo dados da Secretaria de Segurança Pública do Estado (SSP/AM), em 2019, o Amazonas registrou 124 suicídios, fazendo um comparativo, somente no primeiro semestre deste ano, o estado já registrou mais de 60 casos de suicídios.

Por esse motivo, em apoio à campanha Setembro Amarelo, a Defensoria Pública do Amazonas (DPE-AM) realizou nesta quinta-feira (24), o evento “Sem saúde mental, não há saúde”, como uma das medidas de combate ao suicídio e doenças que afetam a saúde mental da população.

Para a médica psiquiatra e membro da Associação Brasileira de Estudo e Prevenção do Suicídio, Alessandra Pereira os sentimentos que alimentam tristeza e emoções ruins somadas as pressões sociais podem contribuir no adoecimento emocional dos grupos mais vulneráveis: crianças, adolescentes e idosos; e que uma das soluções é uma dedicação maior com as pessoas que amamos.

“O que nós precisamos é nos desconectar desse ritmo acelerado em que vivemos hoje, nos conectar mais com os que amamos, mesmo que virtualmente, de forma individualizada, pessoal, e tentar encontrar a nossa fôrma, aquela que serve para nós, e não aquela que tentam nos impor”, afirmou Alessandra Pereira, durante a palestra.

Por outro lado, a psicanalista Mônica Portugal, mestre em educação pela Universidade Federal do Ceará e autora do livro ‘A Formação do Analista: um sintoma da Psicanálise’, defende que saúde mental e física devem ser trabalhadas sempre juntas, e que problemas que existiam antes da pandemia ficaram mais evidentes nesse momento, destacando que o individualismo acaba deixando as pessoas presas em suas bolhas, esquecendo de ouvir o próximo e se sentir acolhido.

“Talvez, a palavra-chave seja ouvir. É preciso escutar o outro, escutar a comunidade. E aqui é preciso diferenciar o ouvir do escutar. Ouvir implica que você seja tomado por aquilo. Precisamos ter algo de reconhecimento da comunidade, pelo outro. Esse mecanismo dá algum sentido à vida. E ele parte do outro”, explicou a psicanalista.

Durante o evento, o defensor público geral, Ricardo Paiva explicou a pandemia e o chamado ‘novo normal’ cobram um maior cuidado com a saúde mental, o que ressalta a importância da campanha Setembro Amarelo, na prevenção ao suicídio em um ano tão delicado como 2020. “O Setembro Amarelo é um mês de reflexão. Que nós possamos fazer uma higiene mental, refletir sobre tudo aquilo que tem acontecido neste ano”, disse o defensor geral.

O evento contou com a presença do subdefensor geral, Thiago Nobre Rosas, o defensor da Saúde, Arlindo Gonçalves, servidores e defensores públicos.

*Com informações da assessoria