Castro defende afastamento de Adail para evitar que vitimas continuem sendo coagidas e ameaçadas

coletiva castroO afastamento imediato de Adail Pinheiro da Prefeitura de Coari foi defendido hoje pelo deputado Luiz Castro, em entrevista coletiva, a fim de impedir que as vítimas de crime de pedofilia continuem sendo coagidas e ameaçadas de morte por pessoas ligadas ao prefeito. A permanência de Adail na prefeitura impõe um clima de tensão, com intimidações e retaliações, que dificultam as investigações sobre a rede de pedofilia no município, avalia o parlamentar.

Luiz Castro vem denunciando os escândalos de Coari desde 2008, quando a Polícia Federal deflagrou a Operação Vorax, e voltou a cobrar da Justiça Federal e do Ministério Público Estadual (MPE), o andamento do processo em que Adail Pinheiro é acusado por licitações fraudulentas, desvio de dinheiro público e exploração sexual de menores.

Justiça lenta
Passados seis anos, o processo resultante da Operação Vorax, segundo Castro, ainda se encontra em fase de inquérito, e o MP não ofereceu denúncia contra o prefeito. “O Ministério Público falhou de maneira grave, deveria ter agido em Coari desde a deflagração da Vorax”, afirmou o parlamentar.
Luiz castro Criticou a decisão do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJA) e do MPE de negar acesso aos autos do processo que envolve o prefeito em crimes de pedofilia. “Pelo que se observa há mais zelo para proteger o reu, do que para amparar as crianças e adolescentes vítimas de abuso sexual”, declarou.
O deputado disse que a presidente da CPI da Pedofilia, da Câmara Federal, Erika Kokay, vai fazer novo pedido para que os advogados da comissão tenham acesso aos inquéritos.

Reativação do Processo
Hoje, ponderou Castro, os promotores estão atuando com mais rigor nos casos de pedofilia, após as matérias apresentadas pela Rede Globo, no Fantástico, que colocaram em xeque a Justiça do Amazonas.  Mas o deputado cobrou também uma posição do Governo do Estado. “O Governo está omisso. As Secretarias Estaduais de Direitos Humanos e de Assistência Social não estão fazendo nada para proteger as crianças vitimas de exploração sexual em Coari”, criticou.

CRAS e CREAS
O Centro de Referência de Assistência Social (Cras) e o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas), órgãos que atuam no acolhimento às adolescentes vítimas de abuso sexual em Coari, estão funcionando precariamente, com quadro defasado de assistentes sociais, de psicólogos,  e funcionários. “É sintomático. A Prefeitura de Coari tem recursos, mas não apoia essas instituições que amparam crianças e adolescentes”, afirmou o deputado.

Pedido de CPI
O deputado Luiz Castro anunciou que vai apresentar um pedido de instalação de uma CPI, na Assembleia Legislativa, tão logo reiniciem os trabalhos parlamentares, para investigar com profundidade as denúncias de pedofilia em Coari e os mais recentes casos nas escolas da categoria de base do futebol no Amazonas. “É vergonhoso e deplorável que esses crimes estejam acontecendo no nosso Estado”, repudiou o deputado.

Mobilização
Castro conclamou a sociedade a participar da reunião que acontecerá no próximo dia 6 de fevereiro, na Assembléia Legislativa, para definir ações de combate à pedofilia. A intenção é mobilizar a população para a prevenção a esse tipo de crime e exigir das autoridades, uma posição firme em defesa dos menores de idade expostos ao risco. Entidades que atuam na defesa dos direitos da criança e do adolescente já confirmaram presença.
A representante do Comitê Estadual de Enfrentamento à Violência sexual Contra Crianças e Adolescentes, Janete Vieira, e o coordenador do Movimento Nacional de Direitos Humanos, Renato Souto, participaram da entrevista coletiva e reafirmaram o seu compromisso de lutar para preservar a vida das vítimas de abuso sexual. Renato Souto afirmou que o caso de Coari será levado à Corte da Organização dos Estados Americanos (OEA).

Operação Estocolmo
Em relação à Operação Estocolmo, que também investiga crimes de pedofilia, envolvendo empresários e um político, o deputado Luiz Castro disse que vai solicitar da Justiça, os inquéritos do processo para verificar o grau de envolvimento do deputado Fausto Souza citado nos autos. “Ele terá que se defender e provar que é inocente, mas se ficar comprovado que ele tem culpa, terá que ser punido”, defendeu Luiz Castro.
Os deputados José Ricardo e Chico Preto que também participaram da coletiva, se posicionaram rigorosamente contra os crimes de pedofilia em Coari e sobre a Operação Estocolmo, pretendem analisar os autos do processo que envolve o deputado Fausto Souza.