Cem dias de governo de Wilson Lima deixaram AM em colapso, diz deputado

O deputado Wilker Barreto (Podemos) afirmou, nessa quarta-feira (10), na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), que apesar do Governo de Wilson Lima (PSC), completar 100 dias, período significativo à frente da gestão, não há muito o que se comemorar.

“Em 100 dias de Governo, Wilson Lima deixa o Amazonas em colapso, na saúde, na educação, sendo questionado pelo Ministério Público e com suspeita de corrupção ativa e passiva. É desta forma que esse Governo completa os 100 dias. Não era isso que esperava o povo do Amazonas. Após três meses, tudo ainda é culpa do passado, mas aguardo quando os problemas serão nossos e resolvidos pelos gestores. Mas, infelizmente, eles preferem praticar atos vergonhosos e digo que nunca vi na história do Amazonas um Governo se deteriorar tão rápido”, disse Barreto.

Segundo o parlamentar, um dos principais gargalos da atual gestão é a saúde, que foi bombardeada nos últimos meses por denúncias de falta de medicamentos, leitos, aparelhos, cirurgias, não pagamento de equipes médicas e mortes de pacientes. Para se ter ideia, no dia 25 de fevereiro faltavam 36 medicamentos e 55% dos PPS (Produtos para a saúde) no Pronto-Socorro João Lúcio (Coroado). Atualmente, são 60 medicamentos e 50% dos PPS em carência.

“Na maior maternidade do Estado, Ana Braga, o número de medicamentos que não existem na unidade chega a 35, enquanto que de PPS são 39. No 28 de Agosto, o número saltou para 36 medicamentos e 49 PPS. Desde 9 de fevereiro, venho realizando constantes visitas nos hospitais para verificar as condições de armazenamento dos medicamentos, incluindo fiscalizações na Central de Medicamentos do Amazonas (Cema)”, relatou Wilker.

Porém, diante de uma saúde que respira por aparelhos, o chefe do executivo estadual afirmou em seu balanço de 100 dias, que uma de suas principais vitórias na gestão é a saúde do Amazonas, ignorando as mortes, por exemplo, de 15 crianças este ano, devido a falta de cirurgias cardíacas no Hospital  Francisca Mendes (Cidade Nova, Zona Norte). Na fila, estão 255 crianças aguardando pelo procedimento. A denúncia foi feita em rede nacional pelo Bom Dia Brasil (Globo).

Educação

Outro ponto levantado pelo deputado Wilker Barreto foi a educação. Durante os 100 dias foi rotineiro escândalos envolvendo o titular da Secretaria de Estado da Educação (Seduc), Luiz Castro, sobre superfaturamento em contratos.

Desses, mais de R$ 80 milhões do povo estão em jogo, devido três contratos que estão vigorando na Seduc. Dois tratam de refeições para capital e interior com sobrepreço, enquanto o outro se refere ao transporte escolar, revelando o montante de R$ 18 milhões apenas para pagamento de monitores.

De acordo com o oposicionista, as empresas Bento Martins de Souza e GH Macário tem contrato para atender capital e interior com acréscimo de mais de 50%, passando o lanche de R$ 2,10 para R$ 4 no interior e R$ 3,49 na capital, enquanto que o almoço foi de R$ 8,20 para R$ 11 no interior e R$ 7,98 na capital.

O deputado também alertou para o contrato da secretaria de educação com a Dantas Transporte e Instalações Ltda, que no ano passado cobrava do Governo do Amazonas R$ 28 milhões e, em 2019, passou para R$ 46 milhões.

“Vejo com muita tristeza o caos que se encontra o nosso Estado. Ao completar 100 dias esse governo, eu aguardo com expectativa o relatório de gestão de um governo que não acertou na saúde, na educação e que está saindo em nível nacional como um Governo que não está dando respostas como máquina pública. Um governador e um vice-governador visivelmente despreparados. Não se pode empurrar as problemáticas do Estado para debaixo do tapete”, disse Wilker.

Prestes a se deparar com uma greve de professores, Wilson Lima afirma que as reivindicações dos professores estaduais estão sendo atendidas, quando, na verdade, eles pedem reajuste salarial referente à data-base de 2019 de 15%, baseado no Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). O Governo, no entanto, repassará apenas 3,93%.

Com informações da assessoria do deputado.