Central de Medicamentos é alvo de investigação após denúncias de falta de luvas no hospital João Lúcio

Enquanto a luva cirúrgica é usada em partos, no preparo de medicações, a de procedimentos é utilizada em tarefas não cirúrgicas, nas quais há o contato direto ou indireto com secreções e fluidos. Foto: ilustrativa/reprodução

Após denúncias de que o Hospital e Pronto Socorro João Lúcio Pereira Machado, localizado no Coroado, vem oferecendo apenas um tipo de luva, a cirúrgica, que causa transtorno entre os trabalhadores que precisam do outro tipo de luva para procedimentos específicos que envolvem contato com secreções e sangue, a Central de Medicamentos do Amazonas (Cema) terá o processo de abastecimento de luvas, cirúrgicas e luvas de procedimentos, investigado pelo Ministério Público do Amazonas (MPAM).

O procedimento preparatório, que prevê a investigação, foi assinado no último dia 02 deste mês, mas só foi publicado no Diário Oficial do MPAM nessa segunda-feira (5).  (Confira a publicação no fim da matéria)

De acordo com a denúncia, o problema no fornecimento de luvas de procedimentos ocorre há meses no João Lúcio e além de inadequadas para determinados trabalhos, as luvas ainda são entregues em tamanhos errados. Com isso, a possibilidade de acidentes de trabalho aumenta e representa perigo aos trabalhadores e pacientes.

O risco se dá porque cada luva tem uma função específica. A cirúrgica é empregada em tarefas que necessitam de um equipamento estéril e anatômico, como partos. Já a de procedimentos é usada em atividades não cirúrgicas, nas quais há o contato direto ou indireto com sangue, excreções, secreções e objetos contaminados por fluidos corporais.

A abertura do procedimento, assinado pela promotora de justiça Cláudia Maria Raposo, considera “o disposto no art. 196, caput, da Constituição Federal, o qual dispõe ser a saúde direito de todos e dever do Estado, garantindo mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação”, consta no documento.

Posicionamento da SES-AM

Tendo em vista o perigo que a falta de equipamentos necessários representa na vida de trabalhadores e pacientes, o Radar procurou a Secretária de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM) para questionar os motivos da falta de um item tão básico e se o problema já estaria sendo solucionado.

Em resposta, a direção do Hospital Pronto-Socorro João Lúcio Machado informou que “não está faltando luva de procedimento  na unidade. A Central de Medicamentos do Amazonas (Cema) também dispõe do produto em estoque. Na falta eventual do item, que pode ocorrer por atraso do fornecedor devido à alta demanda no mercado, é recomendado o uso da luva cirúrgica.”

Confira o procedimento preparatório na íntegra