Cenas de sofrimento e violência que o Radar não gostaria de captar na Cidade das Luzes (ver vídeos)

Escrever pouco se faz necessário. Afinal como diz o dito: uma imagem vale mais que mil palavras”. Nesse caso o choro de um homem diz tudo. Seu nome é Carlos Costa e, quem sabe o Radar mostrando seu desespero, ele passe a não ser mais invisível, já que assim parece ter sido para o Poder Público e para muita gente a quem não incomoda a dor dos outros. Carlos Costa é gesseiro e, talvez por isso, sua casa – casebre não viu gente? – , era uma das mais bonitas da Cidade das Luzes, todas em detalhes em gesso. Ele chora copiosamente em frente à casa que levou quase dois anos pra construir, num terreno onde só agora a Prefeitura de Manaus diz ter visto que estava ocorrendo destruição do meio ambiente.

A resposta para a Prefeitura levar tanto tempo para tomar uma atitude sobre o impacto ambiental de uma ocupação irregular de terra como a Cidade das Luzes pode estar no que diz uma ocupante da área que, infelizmente, não conseguimos saber o nome – a gente bem que tentou porque para a turma do Radar essas pessoas não são invisíveis. Ano passado teve eleições, o candidato do prefeito Artur Neto à reeleição, governador José Melo, esteve por lá e, segundo a mulher, o pobre e humilde filho de seringueiro, demonstrou seu apoio àqueles que não tinham onde morar e até comeu caldeirada de bodó!

O Radar também captou, do celular de um ocupante da área, a retirada dos moradores da Cidade das Luzes. Nele uma mulher se desespera porque o marido foi preso ao tentar insistir em ficar dentro da casa. Ela se agarra aos policiais, leva um soco e cai, numa desocupação de terra, em que a ação policial, definida pelo secretário de Segurança do Estado, Sérgio Fontes, foi “feita de forma digna e humanizada”.