Cerca de seis mil profissionais de saúde de Manaus ameaçam parar em 72 horas (ver vídeo)

Entre os pedidos da categoria, o adicional de insalubridade e o ticket-alimentação

profissionais de saúde na galeria da Assembleia Legislativa do Amazonas

Técnicos de enfermagem contratados em regime temporário ainda em 2020 e conhecidos como RDAs afirmaram que a categoria já prepara um indicativo de greve em até 72 horas, após dois dias tentando falar com o governador Wilson Lima, sem respostas. Entre as reivindicações da categoria, está o pagamento do adicional de insalubridade e do ticket-alimentação, que nunca foram pagos. Atualmente a categoria é composta por cerca de 6 mil profissionais, que atualmente correspondem a 49% dos servidores da saúde pública que atuam nas unidades hospitalares, segundo lideranças da categoria.

Manifestante na Secretária de Saúde do Amazonas- SES-AM

De acordo com os técnicos em enfermagem, eles foram contratados para auxiliar na pandemia da Covid-19, sendo colocados na linha de frente contra o vírus e sem receber o reconhecimento devido, afirmando inclusive que estão com muitos colegas com sequelas pós-covid, além dos que perderam a vida na pandemia. “Eu sou um dos sequelados da Covid-19. Peguei o vírus três vezes e sofro com as sequelas até hoje. Tivemos uma perda significativa de nossos colegas durante a pandemia”, afirmou um dos manifestantes.

Na última segunda-feira (13), eles estiveram em frente a sede do governo, na avenida Brasil, onde tentaram por mais de três horas – sem sucesso – falar com o governador Wilson Lima. O alvo de hoje (14) foi o secretário de saúde do estado, o médico Anoar Samad, que também não recebeu o grupo, com assessores do secretário informando apenas que ele estava em reunião. Após isso, o grupo foi para a sede da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (ALEAM), onde aos gritos de “Wilson Lima Caloteiro”, eles pediam por atenção dos parlamentares.

Os únicos a darem atenção para o grupo foram os deputados Wilker Barreto (Cidadania) e Dermilson Chagas (Republicanos), que falaram por cerca de 10 minutos para os poucos colegas de Parlamento que ainda se faziam presentes na sessão. Wilker inclusive foi até a galeria onde estavam os manifestantes e endossou o argumento de Wilson Lima como um caloteiro. “O Wilson Lima é um caloteiro, ele deve mais de 6 mil profissionais contratados e não paga, acreditem, risco de vida e ticket alimentação. Esses profissionais foram aqueles que enfrentaram a pandemia e o governo sequer recebe”, criticou o parlamentar.

O secretário de saúde Anoar Samad foi mais um a ser alvo de críticas do deputado. “O secretário Anoar não tem capacidade técnica de estar a frente. Se não tem capacidade de olhar nos olhos dos servidores que prestam serviços, como pode estar na condição de secretário?”, questionou ele.

Ele aproveitou para relembrar uma denúncia do Radar Amazônico, em que crianças eram colocadas no chão para serem atendidas em uma unidade hospitalar da capital. “Tivemos o caso das criancinhas no chão do hospital, o Wilson estava em Borba dançando e o secretário sequer foi lá, tratam com desprezo a saúde. Se for nas unidades de saúde está em colapso, profissionais insatisfeitos e em atraso.”, finalizou Barreto.

O diretor do sindicato dos técnicos em enfermagem, José Picanço, detalhou o indicativo de greve. “A gente quer deixar bem claro que se não tivermos uma resposta, vamos declarar greve. Nós vamos parar todos os hospitais. Não é justo esses profissionais de linha de frente não receberem os direitos deles, que estão em contrato. Se não tiver resposta, o sindicato indica a greve”, afirmou o diretor.

“A nossa esperança hoje era falar com o Anoar, secretário de saúde que não representa nada, que não fala com ninguém. Querem nos calar com uma marmita muita das vezes estragadas. Nós somos a saúde, se nós pararmos a sociedade vai sofrer e não é isso que nós queremos”, afirmou um manifestante. (veja vídeo completo aqui)

Onde está o secretário?

 Mas, se o secretário estadual de saúde não visita hospitais, não checa denúncias, não recebe parlamentares estaduais com questionamentos sobre a sua gestão e se nega a falar com servidores da Saúde, ele não se nega a fazer discurso político em defesa de Wilson Lima, pelos bairros de Manaus, numa tal de “ação de cidadania”, onde os cidadãos de Manaus são obrigados a ouvir discurso do governador, dos secretários e dos deputados estaduais, pra conseguir uma simples carteira de identidade, um serviço público que é pago com o nosso dinheiro.

Em seu discurso pró-governo, o secretário afirmou que a porta dele estava aberta para receber qualquer um, mas os atos são bem diferentes das palavras, já que o povo nunca consegue falar com os secretário, e nem sequer deputados estaduais conseguem ser recebidos por Anoar Samad, mesmo tendo direito assegurado pela Constituição Federal de fiscalizar os atos do Executivo – nem vamos falar do Radar nunca conseguir falar com o secretário porque isso sempre foi comum em todo o governo de Wilson Lima.