Chefa do tráfico mandava matar e enterrar de cabeça pra baixo

Célia Ribeiro Fonseca, 24, foi presa quando deixava o Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj) onde estava visitando seu marido, Eduardo Feitosa de Souza, 24, conhecido por “Pato Roco”. Eduardo é apontado pela polícia como o chefe do tráfico de drogas no Beco Boa Sorte, bairro São José, Zona Leste da cidade. Com a prisão do marido, Célia teria assumido o controle do tráfico na área. Ela foi presa sob acusação de ter sido a mandante de dois homicídios e é suspeita de outras mortes por causa da “assinatura” – uma maneira característica de matar. Célia mandava matar e enterrar a vítima de cabeça pra baixo.

De acordo com o delegado Ivo Martins, titular da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), a jovem foi presa pela equipe de investigação da DEHS na tarde da última quinta-feira, dia 22, por volta das 15h, na saída doComplexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), em cumprimento a mandado de prisão temporária expedido no mês de novembro deste ano, pelo juiz Mauro Moraes Antony, titular da 3ª Vara do Tribunal do Júri.

“Após recebermos informações de que Célia iria visitar o companheiro, Eduardo Feitosa de Souza, 24, conhecido como “Pato Roco”, que está cumprindo pena no Compaj, montamos campana no local e aguardamos a infratora deixar o presídio, explicou Martins.

Um dos assassinatos que teria ocorrido a mando de Célia, foi no dia 21 de agosto deste ano. Na época, a vítima, identificada como Sol Anilba Soares de Souza, que tinha 34 anos, foi encontrada morta com marcas de agressão física. Ela foi enterrada de cabeça para baixo em uma comunidade no bairro Gilberto Mestrinho, zona Leste da capital.

“Durante as investigações constatamos que a vítima teria atrapalhado a movimentação de drogas naquela região, pois teria ameaçado denunciar os traficantes que atuavam no bairro Gilberto Mestrinho. Após a prisão do companheiro de Célia, a jovem teria passado a comandar o tráfico de drogas naquela área, juntamente com “Cafezinho”, irmão dela”, esclareceu o titular da especializada.

O segundo homicídio aconteceu no dia 11 de setembro, também neste ano. Na ocasião, Jessé Eurico Barroso foi morto a pauladas. A vítima tinha 21 anos.  De acordo com as investigações, ele também teria envolvimento com o tráfico de drogas e teve um desentendimento com Célia por esse motivo. Segundo testemunhas, Jessé não queria mais participar do tráfico de drogas na área e ameaçou delatar Célia para a polícia.

“Verificamos, ainda, que o corpo de Jessé foi encontrado cerca de 50 metros do lugar onde Sol Anilba foi enterrada. Diante disso, também não descartamos que Célia tenha envolvimento em outros homicídios, principalmente de pessoas envolvidas com o tráfico de drogas naquelas redondezas. Mais uma vez estamos dando uma resposta à sociedade, tirando essa jovem de circulação. Encerramos o inquérito em torno deste caso”, concluiu Ivo Martins.

Célia foi indiciada por dois homicídios qualificados. Ao término dos trâmites legais realizados no prédio da especializada, a jovem será encaminhada ao Centro de Detenção Provisória Feminino (CDPF), onde irá permanecer à disposição da Justiça.

FOTOS: Erlon Rodrigues / Assessoria de Imprensa da PC-AM