Cine Casarão ganha estreia sobre a vida do poeta Torquato Neto

O documentário “Torquato Neto – Todas as Horas do Fim”, dirigido por Eduardo Ades e Marcus Fernando, terá sua estreia nacional nesta quinta-feira (8). O filme conta a vida e obra do poeta piauiense Torquato Neto. Aqui em Manaus, o lançamento será através da tela do Cine Casarão (rua Barroso, 279, Centro), na sessão das 20h30. O longa também ficará em cartaz na sexta-feira (9), na sessão das 18h30; no sábado (10), às 20h30 e no domingo (11), poderá ser assistido às 17h.

Torquato Neto atuou em diversas frentes, deixando sua marca inventiva na poesia, na música, no cinema, no jornalismo e na produção cultural, considerado um dos pensadores e letristas mais ativos da Tropicália.

Neste documentário, Eduardo Ades e Marcus Fernando contam como Torquato Neto, falecido em 1972, vivia apaixonadamente as rupturas. Eles mostram como o poeta atuava em múltiplas frentes – no cinema, na música, no jornalismo –, já que o poeta piauiense engajou-se ativamente na revolução que mudou os rumos da cultura brasileira nos anos 60 e 70. Neto foi um dos pensadores e letristas mais ativos da Tropicália, parceiro de Gilberto Gil, Caetano Veloso e Jards Macalé. Junto à arte marginal, radicalizou sua atuação e crítica cultural, com Waly Salomão, Ivan Cardoso e Hélio Oiticica. Por fim, rompe com sua própria vida. Suicida-se no dia de seu aniversário de 28 anos.

Vida e Obra – Torquato Neto

Torquato Neto é um dos poucos artistas da Tropicália que ainda não teve sua vida e obra documentada em audiovisual. Em sua breve trajetória, atuou em múltiplas frentes, sempre deixando sua marca inventiva: na poesia, na música, no cinema, no jornalismo, na produção cultural.

Nascido em Teresina, em 1944, filho de funcionários públicos (Heli da Rocha Nunes e Salomé Nunes), na adolescência Torquato muda-se para Salvador para terminar os estudos do ensino médio – é quando conhece Caetano Veloso. Chega ao Rio de Janeiro para estudar direito – mas acaba optando pelo curso de jornalismo, que acabaria por abandonar depois. Mesmo assim, o jornalismo acabará se tornando um importante meio para a expressão de sua poética. Em 1965 e 1966, começa a fazer letras de música em parceria com artistas como Edu Lobo “Pra dizer adeus, Veleiro, Lua nova”, Caetano Veloso “Nenhuma dor” e Gilberto Gil “Meu choro pra você”.

Em 1967, adere ao movimento da Tropicália, sendo responsável por algumas das mais importantes músicas do período: Geléia Geral e Marginália II (ambas em parceria com Gilberto Gil) e Mamãe, Coragem (em parceria com Caetano Veloso). No fim de 1968, com o movimento tropicalista sofrendo duros ataques e a conjuntura política do país se fechando, parte para a Europa, apenas uma semana antes do AI-5.

De volta ao Brasil, em 1972, realiza em Teresina seu primeiro filme, desejo acalentado há vários anos: O Terror da Vermelha, em super-8mm. Participa como ator em outros três filmes: “Dirce e Helô”, de Luiz Otávio Pimentel, e “O padre e as moças” e “A múmia volta a atacar”, de Ivan Cardoso.

Em parceria com Waly Salomão, concebe e organiza a revista “Navilouca” – que só seria lançada anos mais tarde. Na madrugada do dia 10 de novembro, após seu aniversário, suicida-se em seu apartamento, no Rio de Janeiro.

Em cartaz

Vencedor do Urso de Prata de Melhor Diretor no Festival de Berlim, o filme “O outro Lado da Esperança”, do finlandês Aki Kaurismäki, esta em cartaz nas sessões: quinta-feira (8), às 18h30; sexta-feira (9), às 20h30; sábado (10), às 18h30 e no domingo (11), 20h30.

Considerado pela crítica um longa socialmente engajado, mas sem abrir mão do uso da comédia, da rigidez de seus planos e da estruturação peculiar da iluminação. Ao mesmo tempo em que parece transitar em um espaço fora da realidade, o realizador consegue retratar uma das histórias fundamentais de nossa época: o choque entre culturas; este, provocado pelo encontro dos europeus tradicionais com os refugiados, relação manifesta de forma tragicômica através da dinâmica estabelecida entre Wikström (Sakari Kuosmanen) e Khaled (Sherwan Haji).

Já o filme “O Insulto”, que concorreu ao Oscar 2018 e foi dirigido pelo libanês Ziad Doueiri, continua em cartaz na sessão das 16h, de quinta a sábado. Com 1h22 de duração, “O Insulto” se passa em Beirute, e conta a história de Toni que é um cristão libanês que rotineiramente rega as plantas de sua varanda. Certo dia, acidentalmente, ele acaba molhando Yasser, um refugiado palestino, iniciando um desacordo que evolui para julgamento e toma dimensão nacional.

E ainda é possível assistir ao curta “Quando Os Dias Eram Assim”. As sessões para o filme brasileiro acontecem de quinta a sábado na sessão das 18h. O drama tem duração de 12m50 e relata a experiência sobre o processo de luto após a morte da sua mãe.

Serviço:

O quê: Cine Casarão.
Onde: Casarão de Idéias (rua Barroso, 279, Centro).
Ingressos: R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia para estudantes, idosos e pessoas portadoras de necessidades especiais).