Coari: Só em janeiro, compras no valor de R$ 23 milhões que ultrapassam um mês de arrecadação do município

Igson-Monteiro-irmão-redentoristaEnquanto o prefeito de Coari, Adail Pinheiro, se vê as voltas com novas denúncias de abuso sexual de crianças e adolescentes, seu vice, o irmão redentorista – afastado pela cúpula da igreja por não ter informado de sua candidatura e ter se identificado na campanha como padre -, Igson Monteiro da Silva, assinou nesse primeiro mês de 2014, compras que, somadas, atingem o valor de R$ 23 milhões, mais do que um mês de arrecadação do município de Coari, mais precisamente os meses de janeiro (R$ 17 milhões), março (R$ 19,2 milhões), junho (R$ 20, 7 milhões), julho (R$ 20,4 milhões) e setembro (R$ 21,8 milhões), do ano passado.

As compras estão publicadas no Diário Oficial dos Municípios (DOM), na edição 1007 (03/01/2014), “aquisição de banners, faixas e outros para atender as necessidades da secretaria municipal de Comunicação”, na edição 1008 (06/01/2014), “aquisição de uniformes escolares para atender as necessidades da secretaria municipal de Educação”, na edição 1022 (24/01/2014), “aquisição de materiais esportivos, camisas, equipamentos, bolas, tênis, apitos e outros materiais – até luvas de boxe – para atender as necessidades da secretaria municipal de Esportes”, e na mesma edição (1022), “aquisição de cadeiras de roda, muletas e andador para atender as necessidades da secretaria municipal de Saúde”.

Na lista de empresas contratadas pela Prefeitura de Coari estão as mesmas de sempre, que conseguem fornecer de tudo e que ganharam contratos de milhões no ano passado, através de dispensa de licitação, após o prefeito Adail Pinheiro decretar, logo no segundo dia do seu mandato, Estado de Emergência, sob a alegação de que a cidade estava “destruída” e, por isso, necessitava de “contratação emergencial de produtos e serviços”. O prefeito manteve o decreto, após 180 dias, prevendo a existência de uma enchente, que não aconteceu. Mas, se a “vidência” do prefeito não se realizou, os contratos sim. Como por exemplo, no caso do empresário que confessou a CPI da Câmara de Coari – confissão que só aparece no relatório final que acusa o prefeito e desaparece no que inocenta – que sua empresa a Pereira Muniz Construções Ltda, foi contratada para “a elevação dos assoalhos das escolas de madeira da zona rural que, possivelmente, serão afetadas pela enchente de 2013” – esse texto está em publicação no Diário Oficial do dia 23 de maio do ano passado. O empresário afirma ter concluído o serviço, repassado as notas fiscais, mas não ter recebido nem 30% por cento do valor contratado.

Um exemplo dessas conhecidas e costumeiras empresas que faz todo tipo de negócios com a prefeitura de Coari, desde o ano passado, é a Medquip Comércio de Equipamentos e Medicamentos Ltda. No ano passado, por dispensa de licitação ela forneceu desde lençóis e fronhas (R$ 379 mil), passando por material de expediente e consumo (R$ 3, 1 milhões), até acessórios e enfeites para o Auto de Natal (R$ 1 milhão). A mesma empresa está na publicação do DOM 1022, do dia 24 de janeiro, numa compra de R$ 3,2 milhões uniformes escolares, onde uma mochila custa quase R$ 50,00 (mais precisamente R$ 47, 65).

Mas, a maior compra fica por conta do fornecimento de produtos para a secretaria municipal de Comunicação no valor de R$ 16 milhões onde, dando apenas um exemplo, o número de folders a serem confeccionados, num total de 1.283,50 (um milhão e duzentos e oitenta e três mil e quinhentos panfletos), significa mais de 16 vezes a população de Coari.(Any Margareth)