Coitadinhos dos empresários do transporte coletivo né gente?

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Confesso meu povo, que quando foi criado o Fundo Municipal de Mobilidade Urbana (FMMU) e instituído o subsídio repassado pela prefeitura aos empresários do transporte coletivo, em 2019, pelo então prefeito Arthur Virgílio Neto (PSDB), esse meu lado bruto, que não consegue se indignar calado, andou disparando alguns xingamentos que não dá sequer pra escrever aqui, porque são impublicáveis.

Afinal, é público e notório que empresário, seja ele de que ramo for, só fica onde está tendo lucro, então já que os empresários do transporte coletivo alegam que estão tendo prejuízo por que ainda não decidiram ir embora? Aí pra eles terem lucro, o povo é que tem que pagar por isso? Esses eram os questionamentos que me faziam ficar atacada de raiva.

Mas aí, fui vendo com o passar dos anos, a tarifa do transporte coletivo se manter no mesmo valor. E lá se vão quatro anos sem reajuste da tarifa. Minha insatisfação começou a ser aplacada, principalmente, quando o preço da antes denominada meia-passagem estudantil começou a custar menos de 50% da tarifa de ônibus, representando hoje apenas 38% do preço da passagem.

Mas, de repente, eu vejo no link de despesas do Portal da Transparência da Prefeitura de Manaus que o subsídio repassado para as empresas do transporte coletivo passou de R$ 13 milhões, mensalmente, no ano passado, para até R$ 53 milhões, apenas no mês de março, na administração de David Almeida (Avante). O valor pago pela Prefeitura de Manaus, em apenas três meses, já atingiu R$71,5 milhões de reais.

E isso vem após discursos frequentes, antes, durante e depois do período eleitoral do ano passado, com críticas das mais ácidas contra prefeitos anteriores da cidade de Manaus. “A prefeitura virou uma ama de leite dos empresários do transporte coletivo”, disse o então vice-prefeito reeleito Marcos Rotta (DEM), em dezembro do ano passado. Se era ama de leite antes, como classificar a prefeitura agora?

Já o prefeito eleito David Almeida (Avante) disse até que dava pra reduzir em cinco centavos o preço da passagem por causa do subsídio pago pela prefeitura de Manaus aos empresários. Fazendo o mesmo raciocínio que o prefeito, se quase dobrou o subsídio pago aos empresários em três meses pela sua administração, então dá pra reduzir mais ainda o preço da passagem de ônibus, né mesmo?

E a justificativa da Prefeitura de Manaus para quase dobrar o valor dos recursos é “para permitir que o sistema não deixe de oferecer um serviço digno a população”. Pelo jeito, David Almeida e Marcos Rotta num tão mais andando de ônibus como faziam antes pra posar pras fotos, né mesmo? Se assim fosse, veriam o povo exposto às aglomerações em plena pandemia, ao invés de aumentarem a ajuda financeira pros “coitadinhos” dos empresários do transporte coletivo.