‘Colegas’ de cadeia de Cabral estão entre os mais perigosos do RJ

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O ex-governador Sérgio Cabral foi transferido para a cadeia onde estão custodiados alguns dos criminosos mais perigosos do Rio de Janeiro.

Por ordem da Justiça, no fim da noite desta terça-feira (4), Cabral e outros cinco presos ingressaram em Bangu 1, vindos da Unidade Prisional da Polícia Militar, em Niterói, onde uma força-tarefa encontrou indícios de regalias.

Bangu 1 é um presídio de segurança máxima no Complexo Penitenciário de Gericinó com diferentes galerias, separadas por facção criminosa. A ala onde Cabral está não tem janelas, nem sequer aberturas para o sol, e as celas são individuais.

Em outras galerias de Bangu 1, estão chefes do tráfico de drogas e da milícia. Alguns deles são:

My Thor
Menor P
Toni Ângelo
Charles do Lixão

Saiba mais sobre os criminosos:

My Thor

Marco Antônio Pereira Firmino da Silva, o My Thor, está preso desde 2007 e é considerado um dos principais chefes do Comando Vermelho.

Ele ficou famoso por ordenar, de dentro da cadeia, o resgate do irmão, Nicolás Pereira de Jesus, conhecido como “Fat Family”, de dentro do Hospital Souza Aguiar, no Centro do Rio, em 2016.

O traficante, entre outros crimes, ficou conhecido pela execução da universitária Ruth Menezes Tentuge, quando estava preso em Bangu 1, em abril de 2001.

Ele teria ordenado que André Maciel de Castro, conhecido como “Café”, e Alexandre Nascimento Andrezo, o “Xuxa”, ambos traficantes do Morro dos Prazeres, em Santa Teresa, no Centro, matassem a ex-namorada porque desconfiava que tivesse sido traído por ela.

O corpo da estudante, filha de uma funcionária pública lotada no Palácio Guanabara, sede do governo do estado, foi encontrado em um terreno de Belford Roxo, na Baixada Fluminense.

My Thor comandava o tráfico de drogas no morros na Zona Sul e no Centro e foi preso em 2007. Depois de ser transferido para Catanduvas, no Paraná, voltou para o Rio em março de 2021.

Menor P

Marcelo Santos das Dores, conhecido como Menor P, é apontado como chefe do tráfico de drogas no Conjunto de Favelas da Maré, na Zona Norte.

O traficante também teria agredido o jogador Bernardo, do Vasco, por um envolvimento do meia com Daiane Rodrigues, que seria “namorada número 1” do criminoso. Os dois, segundo a polícia, chegaram a ser sequestrados e torturados.

Na ficha criminal de Menor P, além de tráfico de drogas e associação para o tráfico, há outros crimes como homicídio e torturas. Ele é suspeito também de ordenar esquartejamentos de ex-comparsas e de participar da execução de um engenheiro que entrou por engano na favela.

Segundo o site do Disque Denúncia, Menor P, também conhecido como Astronauta, assumiu o tráfico na Maré após a prisão de outros criminosos da facção a que pertence, e usava técnicas militares de disciplina da época em que era paraquedista para recrutar novos “soldados do tráfico”.

Toni Ângelo

O miliciano Toni Ângelo, também conhecido como “Erótico”, é ex-chefe do grupo conhecido como Liga da Justiça, considerada a maior milícia da Zona Oeste do Rio.

Ele foi condenado pela Justiça do Rio a 14 anos de prisão pelo crime de organização criminosa.

O ex-policial militar foi preso em julho de 2013, após se envolver em uma briga em um bar na Estrada do Monteiro, em Campo Grande, na Zona Oeste, quando foi baleado no rosto. Ele foi socorrido num hospital particular da região, onde ficou custodiado.

O homem com quem ele trocou tiros foi morto. Ele era o agente penitenciário Anderson Terra dos Santos, filho do miliciano Júlio César Oliveira dos Santos, o Julinho Tiroteio.

Como é de rotina, quando um paciente chega a um hospital ferido a bala, a polícia é chamada para registrar a ocorrência. Foi quando os policiais identificaram Toni Ângelo, procurado desde 2009 por uma série de processos por homicídio e extorsão.

O miliciano foi transferido para Bangu 1 após uma decisão judicial. Antes, passou pelo Presídio Federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte.

Charles do Lixão

O traficante Charles da Silva Batista, conhecido como Charles do Lixão, foi citado recentemente em conversas gravadas do ex-secretário de Administração Penitenciária, Raphael Montenegro, com criminosos da mesma facção no presídio federal de Catanduvas, no Paraná.

Na conversa, Montenegro afirma que ouviu de Charles que este “retomaria seu espaço” na favela do Lixão, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.

Ele ainda disse que, após Charles retornar para a prisão no Rio, negociou com o traficante para que não vendesse mais crack na região da comunidade.

Nas investigações da Polícia Federal, que resultaram na prisão de Montenegro e outros servidores, Charles diz que “só quer vender” drogas.

Em escutas telefônicas autorizadas pela Justiça, a Polícia Civil identificou que Charles do Lixão continuou a chefiar a quadrilha mesmo de dentro de Bangu 1.

Ele autorizou uma aliança entre ladrões de cargas — com empréstimo de armas — e determinou a venda de drogas no interior de ao menos quatro escolas e uma creche que ficam dentro de um complexo de favelas — em especial a do Lixão e a Vila Ideal — em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.

Isolado e sem sol

A cela onde Sérgio Cabral está mede cinco metros quadrados. Ele ficará isolado durante 10 dias e sem direito a banho de sol no pátio. O condenado na Lava Jato foi transferido para Bangu 1 depois que uma força-tarefa encontrou indícios de regalias na Unidade Prisional da Polícia Militar, onde ele estava.

Foram encontrados no local celulares, anabolizantes, cigarros eletrônicos e listas de encomendas a restaurantes, como uma encomenda de um banquete árabe de R$ 1,5 mil.

O cubículo em Bangu 1, em formato retangular, tem um chuveiro separado por uma divisória. Na mesma seção há uma latrina, sem privada, chamada de boi.

A cama é de alvenaria, inteiriça à parede, com um colchão. A mesma estrutura dá numa pequena cômoda onde são servidas as refeições.

Ao fim desses 10 dias, a Secretaria Estadual de Administração Penitenciária vai definir se Cabral permanecerá em Bangu ou se irá para outra unidade.

Além de Cabral, a decisão assinada pelo juiz Bruno Monteiro Rulière determinou também a transferência:

do tenente-coronel Cláudio Luiz;

do vereador de Nilópolis Mauro Rogério Nascimento de Jesus;

do tenente Daniel dos Santos Benitez Lopes;

do capitão Marcelo Queiroz dos Anjos;

e do capitão Marcelo Baptista Ferreira.

O que diz a defesa de Cabral

Sobre a transferência, Patrícia Proetti, advogada de defesa do ex-governador, diz que é “com absoluta perplexidade que recebemos a informação, pela imprensa, da decisão de transferência do ex-governador para um presídio de segurança máxima”.

A advogada disse que sequer há “um processo administrativo disciplinar para elucidação dos fatos narrados”. E completa dizendo que “o descumprimento dessa garantia básica impediu a defesa de ter acesso formal às informações veiculadas, apesar dos pedidos dirigidos ao juízo prolator da decisão, bem como as razões que embasam e justificam tal determinação”.