Com 7/9 se aproximando, surge série de pichações em Brasília com ataques a ministros do STF

Pinturas ofendendo ministros do Supremo, como Rosa Weber, Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso, foram registradas na Asa Sul

 

Divulgação

O acirramento do clima político à medida que se aproximam o feriado da Independência e os atos convocados pela militância bolsonarista já não está apenas nas redes sociais e em grupos de aplicativos de mensagens. Em paradas de ônibus de Brasília e nos viadutos que ligam as quadras no Plano Piloto, as tesourinhas, mensagens de cunho político começaram a aparecer com intensidade nos últimos dias, fazendo as ruas da capital reverberarem a timeline do Twitter.

O petista Luiz Inácio Lula da Silva já vinha sendo atacado com essas pinturas há alguns meses nas ruas da capital federal, mas as últimas semanas transformaram ministros do Supremo Tribunal Federal em alvos dessas chamativas críticas.

Em paradas de ônibus do Eixinho da Asa Sul, entre as quadras 111 Sul e 109 Sul, o Metrópoles registrou nesta semana ataques aos ministros que também são alvo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido): Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso, que preside o TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

A ministra Rosa Weber também é alvo de uma das pichações, registrada na tesourinha da 111 Sul.

“Volta, Moro”
Aparecem também, entre as pichações, apelos de “Volta, Moro” e “O Brasil é Lava Jato”, endereçados ao ex-juiz e ex-ministro da Justiça, que hoje é um adversário político do presidente Jair Bolsonaro e alvo constante do bolsonarismo. Chama a atenção, portanto, a mistura de pautas caras à militância do presidente (críticas ao STF) com os apelos ao ex-juiz da Lava Jato.
Pichações

Apesar de serem consideradas por correntes de pesquisa como forma de expressão e arte, as pichações são proibidas no Brasil, enquadradas como vandalismo e crime ambiental nos termos do artigo 65 da Lei 9.605/98, que estipula pena de detenção de três meses a um ano, e multa, para quem “pichar, grafitar ou por qualquer meio conspurcar edificação ou monumento urbano.”

As pichações políticas que aparecem em Brasília não se encaixam na corrente “clássica” das pichações, que pinta as letras de maneira estilizada, difícil para o entendimento de leigos, e está mais identificada com jovens que vivem, de alguma maneira, à margem da sociedade.

Tratam-se de pinturas que, segundo um pichador ouvido pela reportagem, mostram que os autores não têm experiência prévia com esse tipo de intervenção urbana.

A Polícia Civil do DF não informou nenhuma investigação aberta para apurar a autoria dos ataques, mas as mobilizações de maneira geral para o ato de 7 de setembro, que tem nas convocações pedidos pelo fechamento do Congresso e do STF, são monitoradas pelas forças de segurança do DF, que preparam um plano de contingência.