Com custo de R$17 milhões por mês, presos ficam amontoados em cadeias do Amazonas

Presos têm custo milionário mas estado não justifica valor pago

O sistema prisional do Amazonas, que envolve 13 presídios, atualmente custa mais de R$17,3 milhões todos os meses. Embora a capacidade do sistema prisional seja de 3.967 presos, o Amazonas tem 5.184 presos, entre provisórios ou sentenciados. O custo anual dos presídios do Estado é de R$207.982.494,72. Os dados foram confirmados pela Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap).

Chama a atenção a superlotação dos presídios do estado, que hoje funcionam com 1.217 detentos a mais do que a capacidade da carceragem. Colocados em celas apertadas como se fossem sardinhas enlatadas, eles ficam praticamente um em cima do outro. Ou seja, mesmo com gastos milionários, com um preso custando hoje ao estado R$ 3,3 mil, ainda assim o Amazonas sofre com um sistema prisional deficitário.

Para justificar o número de presos acima da capacidade atual, a Seap revelou que o número de pessoas privadas de liberdade muda constantemente para mais ou para menos devido à entrada e saída constante de detentos no estado. Ao todo, o Amazonas conta com seis unidades prisionais na capital e sete no interior, que servem aos 62 municípios amazonenses.

Gastos milionários

Para o advogado criminal Bruno Rebouças, o estado gasta valores acima do que deveria. “O preso do Amazonas tem o valor mais caro do país, quase o dobro da média nacional, que fica em torno de R$ 2 mil”, detalhou ao contrariar o valor enviado pela Seap, que segundo ele, cada preso custa, em média R$ 4,2 mil.

Superlotação

Segundo um levantamento do Departamento Penitenciário Nacional (Depen), o Norte do país conta com a maior taxa de superlotação carcerária do Brasil, com 200% da capacidade máxima. O Brasil como um todo possui cerca de 460.000 vagas, mas mantém presas mais de 750.000 pessoa. Os dados foram coletados em 2020.