Com disparada de casos, UBSs de Manaus registram superlotação, falta de profissionais e de testes contra Covid-19 (ver vídeos)

Além dos testes de Covid-19, a população manauara também busca por atendimento para sintomas de gripe

UBS do Morro da Liberdade

Foto: Weverton Silva/Radar Amazônico

A população manauara continua na odisseia buscando atendimento e teste para identificar o novo coronavírus, principalmente com o aumento nos casos de Covid-19 e Influenza A (H3N2). Nessa terça-feira (11), o Radar Amazônico esteve presente em algumas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e conversou com as pessoas que buscavam suporte médico.

Na ocasião, a reportagem esteve nas UBSs do Morro da Liberdade, Petrópolis e Japiim, todas na zona Sul de Manaus, e na UBS Enf.ª Ivone Lima dos Santos, no bairro Coroado, zona Leste da capital, acompanhando os pacientes que buscavam atendimento médico.

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), as UBSs estariam preparadas para atender a alta na demanda dos casos suspeitos de Covid-19 e síndromes gripais, e que estão ofertando testes para Covid-19 nas UBSs, cuja relação consta no site do órgão (ver no final da matéria).

Entretanto, a realidade testemunhada pelo Radar Amazônico é totalmente diferente da propagada pela Semsa. Por exemplo, na UBS do Petrópolis, a reportagem constatou que não está sendo feito teste para Covid-19 e, quem precisa fazer o teste, deve deslocar-se para a UBS do Morro da Liberdade.

Ubs do Petópolis

Entrada da UBS do Petrópolis — Foto: João Paulo Castro/Radar Amazônico

Confira a movimentação da UBS do Petrópolis:

Atendimento primário

O Radar também esteve presente na UBS Lourenço Borghi, localizada na Travessa 6, no bairro Japiim, zona Sul de Manaus, e constatou que na unidade de saúde também não faz teste para Covid-19.

Segundo a atendente que conversou com a reportagem (ouça o áudio), para fazer o teste é necessário o encaminhamento de um Serviço de Pronto Atendimento (SPA), contrariando as orientações da própria Semsa, que estabelece a UBS como atendimento primário.

“Só faz (teste para Covid-19) com solicitação do médico. Tu tem que ir no SPA Zona Sul, lá na Colônia Oliveira Machado. Mas você pode ir no SPA que lá faz teste”, disse a atendente.

Em outra unidade básica de saúde, ainda no Japiim (UBS Japiim), a equipe questionou um atendente sobre a orientação recebida na UBS Lourenço Borghi, se seria o procedimento correto (procurar primeiro um SPA). O funcionário discorda e explica que a UBS é sim unidade de atendimento primário da doença, e que a população deve procurar as UBSs nos casos suspeitos da doença.

“Acabou isso! Tem muita gente gripada, se for assim, os SPAs não vão atender mais ninguém. SPA é para quem quebra perna, toma tiro, facada e quem quebra a cabeça. Não tem nem lógica. O procedimento não está correto, a UBS é atenção primária e o SPA é secundário. Lá é urgência e emergência. Isso é desculpa para espantar o povo”, disse.

Na UBS Japiim, por acaso, também não é realizada a testagem, mas o funcionário explicou à equipe que o motivo seria a baixa procura para testes.

Demora

A busca por atendimento médico para sintomas gripais e casos suspeitos de Covid-19 vem sendo acompanhada pelo Radar Amazônico nos últimos dois meses. Diariamente, muitas pessoas relatam demora nos SPAs, mas a realidade vivida nas UBSs não é diferente.

Desde o momento que a equipe do Radar Amazônico chegou na UBS do Ouro Verde, uma paciente, que preferiu não se identificar, desabafou à reportagem a batalha que tem sido buscar um atendimento contra Covid-19 nessa unidade. Ela conta que foi na UBS para fazer teste contra a Covid-19.

No local, haviam kits para a realização de exames, porém, como já era meio-dia, os profissionais de saúde estavam em horário de almoço e o retorno ao atendimento de pacientes reiniciaria após às 13h. Após isso, a paciente retornou e estava há mais de 1 hora e meia na unidade básica.

Ela disse que, devido à paralisação dos funcionários para horário de almoço, pacientes que chegam na unidade de saúde precisam ficar exposto e aglomerados por mais de uma hora na tentativa da realização de um exame, que não deveria durar mais que 20 minutos.

“Vim aqui de manhã e não consegui fazer atendimento. Eu voltei a tarde, todos os médicos estavam trabalhando, mas não consegui fazer meu teste. Muito complicado esse tipo de situação, demorei mais de uma hora e meia aqui na fila”, disse a paciente.

Resposta

O Radar Amazônico entrou em contato com a Semsa para falar a respeito dos atendimentos de síndromes gripais e casos suspeitos de Covid-19. Em nota, a secretaria informou “que as UBSs estão preparadas para atender a alta na demanda dos respectivos casos”.

Além disso, o órgão informou que sempre orientou a população, por meio dos canais oficiais de comunicação, a procurar as UBSs no atendimento primário nos casos de síndromes gripais e suspeitos de Covid-19.

Porém, a reportagem aguarda posição da pasta a respeito dos erros no protocolo de atendimento nas UBSs citadas na matéria.

Relação de UBS da Semsa