Com escolta policial, bolsas de dinheiro saiam dos bancos para “alimentar os agentes envolvidos no crime de corrupção eleitoral” de Melo, aponta a PF

Imagens das câmeras de segurança de agências bancárias de Manaus que estão no inquérito 722/2014 da Polícia Federal mostram como se dava o esquema para “alimentar os agentes envolvidos no crime de corrupção eleitoral” (frase escrita no inquérito) para a reeleição do governador José Melo (PROS). Essas imagens foram requisitadas aos bancos pela PF, durante a “Operação Quintessência”, deflagrada em 2014 pela Superintendência da Polícia Federal do Amazonas, através de sua Delegacia Regional de Combate ao Crime Organizado, no período de 15 de setembro a 12 de dezembro, antes e depois das votações de primeiro e segundo turno e logo após as eleições, para monitorar um esquema financeiro de corrupção eleitoral que movimentou mais de 2,3 milhôes, com a participação do aparato de segurança pública do Estado.

O inquérito traz interceptações telefônicas e relatórios de movimentação bancária que, juntos com essas imagens, mostram como era operado esse esquema. Nas imagens aparece o tesoureiro de campanha do partido do governador, o empresário Francisco Sampaio Nunes, o “Chaguinha” que, nos meses de julho, agosto, setembro e outubro, período eleitoral de 2014, recebeu R$14,9 milhões dos cofres públicos do Estado, para uns tais “serviços de logística” da Secretaria de Estado de Educação (Seduc) do governador professor, José Melo. Chaguinha também fechou contrato, em 2014, com a Prefeitura de Artur Neto, correligionário político e apoiador da reeleição do governador, num total de mais de R$ 37,9 milhões, coincidentemente – será? –, também com a Secretaria Municipal de Educação (Semed).

Nas imagens que o Radar reproduz exatamente como estão no inquérito policial federal, Chaguinha vai à agência bancária e dirige-se ao setor de “pessoas jurídicas”, ou seja, área em que são atendidos os clientes com contas empresariais. Logo depois, chega um homem que a PF diz se tratar de “um ajudante de confiança” de Chaguinha. Esse homem traz uma mochila nas costas que Chaguinha usa para encher de dinheiro. Durante todo esse período de tempo, as imagens mostram uma viatura da PM parada na porta da agência. Segundo a PF: “Rumam na direção de Manacapuru para a suposta distribuição do dinheiro”.

Conforme definição da PF, “com o mesmo ‘modus operandi’, outro saque de dinheiro em espécie para alimentar os agentes envolvidos no crime de corrupção eleitoral se repete (…) provavelmente para ser distribuído na cidade de Iranduba”. A polícia diz ter feito uma “análise conjunta” entre as imagens do banco e a movimentação bancária dos envolvidos no esquema, o que apontou os valores dos saques efetuados como sendo de R$ 90 mil e R$ 260 mil. (a seguir a sequência das imagens que está no inquérito policial)

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A ordem para a participação de policiais militares na segurança do dinheiro desses saques, está em escuta telefônica feita pela PF, que mostra o coronel PM Berilo Bernardino de Oliveira determinando para que o SA – código utilizado pelos PMs para Supervisor de Área, o mesmo que oficial de serviço no dia -, o tenente Ribeiro faça um PD – acreditamos que na transcrição da escuta telefônica essa expressão foi escrita errado porque policiais militares disseram que o certo é PB – o mesmo que Ponto Base, missão onde policiais ficam parados em observação.  O coronel diz ao tenente: “Dá pra ti mandar uma viatura lá…fazer só um PD, que vai ter um pessoal nosso…e vão fazer uma movimentação de dinheiro e precisa de uma viatura lá na frente só pra…”

Em outra escuta, o coronel Berilo fala com alguém que se chama Lázaro e manda que “venha sozinho e não fale nada pra ninguém” sobre uma reunião. Segundo a PF, a interceptação telefônica “permitiria o entendimento que o dinheiro seria utilizado para pagamento de despesas de campanha” (A seguir escutas telefônicas)

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O Radar captou ainda escutas telefônicas que estão no inquérito com conversas das mais comprometedoras dos envolvidos na chamada “Operação Eleição” do governador. Nas escutas, há conversas de coronel com o vereador de Manacapuru Paraná sobre gastos de campanha que não foram pagos e bate papo do ex-secretário de Saúde do Estado, Tancredo Soares, um dos apontados pela PF como responsável pela distribuição de dinheiro de campanha, com coronel da PM onde ele fala sobre a boa notícia do “1.0” – a polícia diz se tratar de R$ 1 milhão.

Também há conversas sobre benefício para servidor que participou das eleições, mudanças no comando da PM com comentários nada favoráveis para o coronel Gouveia, e reclamações de promoções prometidas e não feitas pelo Governador José Melo – e pelo visto até hoje os coronéis ficaram a ver navios.

E se havia dinheiro para o esquema da eleição do governador, faltou dinheiro para manter as viaturas da polícia. Em escuta, fica claro que não há viaturas para o policiamento da cidade. E, apesar das escutas mostrarem os participantes do esquema eleitoral do governador preparando festa na “garagem do Chaguinha” para comemorar a vitória de Melo, há também os coronéis conversando sobre a possível cassação do governador. (Any Margareth)

RESTANTE DAS ESCUTAS TELEFÔNICAS