Com a justificativa de manter o preço da tarifa, Prefeitura de Manaus e Governo do Estado repassaram em 1 ano e meio mais de R$ 30 milhões dos cofres públicos para empresários de ônibus

artur e omar onibus

Esses mais de R$ 30 milhões dos quais estamos falando é em dinheiro vivo, “cash” mesmo, dinheiro que saiu do nosso bolso em impostos pagos à Prefeitura de Manaus e ao Governo do Estado e que deveria ser investido em áreas como saúde e educação, mas foram parar nas contas dos empresários do transporte coletivo. E adianto logo que essa informação é de ninguém menos que o então governador do Estado, Omar Aziz, hoje senador eleito. O Radar só se deu o trabalho de fazer as contas do tal “subsídio” dado mensalmente às empresas do transporte coletivo sob a justificativa de manter a estabilidade financeira das empresas de ônibus – a estabilidade financeira do Zé Povinho ninguém que saber, né mesmo? –, possibilitando manter estável o preço da passagem de ônibus, e ainda garantir melhorias no sistema de transporte de passageiros.

Esse anúncio do tal subsídio para as empresas – parlamentares de oposição chamam de “mesada” para os empresários –  foi feito, em entrevista coletiva à imprensa, como sempre com muito estardalhaço num ano pré-eleitoral, pelo então governador Omar Aziz e pelo prefeito Artur Neto, no dia 26 de junho de 2013, ou seja, há um ano e meio – no final do mês de janeiro completa um ano e sete meses. “O Governo do Amazonas vai subsidiar R$ 12 milhões/ano, do orçamento estadual e a Prefeitura de Manaus vai subsidiar R$ 8,4 milhões/ano”, anunciou o então governador Omar Aziz, ladeado pelo prefeito Artur Neto. Levando-se em conta esses valores previstos pelo próprio Aziz, isso significa R$ 18 milhões do Governo do Estado e R$ 12, 6 milhões da Prefeitura de Manaus em 1 ano e meio, o que corresponde a R$ 30, 6 milhões no total.

Mas, pensa que parou por aí o pacote de “bondades” do Governo com os empresários de ônibus usando o dinheiro público? Nesse mesmo dia, Omar Aziz ainda anunciou: “O Governo do Amazonas vai desonerar R$ 5 milhões ao ano, referentes ao IPVA que as empresas deixarão de pagar”. Mas todos esses milhões não foram suficientes para segurar o preço da tarifa do transporte coletivo em R$ 2,75 por mais de 1 ano e meio, e os empresários de ônibus não precisaram, desta vez, nem discutir pra conseguir aumento de tarifa. E o nosso dinheiro – ler Prefeitura e Governo – vai continuar caindo em suas contas todos os meses porque o “bondoso” prefeito- operário do serviço de tapa-buracos na cidade – vai continuar entendendo que os “probrezinhos” dos empresários estão endividados, enquanto o “rico” Zé Povinho pode pagar a conta!

Mais milhões

E não podemos esquecer que o “pacote de bondades” que é dado aos empresários de ônibus não se restringe a esses valores citados anteriormente. Após as manifestações realizadas em todo o país, em 2013, contra reajuste nas tarifas do transporte coletivo, foram zeradas pelo Governo Federal as alíquotas do PIS e Cofins incidentes sobre o transporte coletivo Os empresários contam ainda, em nível estadual, com a isenção de ICMS sobre o óleo diesel o que, segundo deputados estaduais de oposição na Assembleia Legislativa do Estado (ALEAM) significou de 2008 a 2012 um montante de R$ 130 milhões que os empresários deixaram de pagar e, consequentemente o Governo deixou de arrecadar. O que será, gente, que está por trás de tanta “bondade” com os empresários de ônibus, hein?

Quem não tem competência…

Sabe aquele dito popular “quem não tem competência não se estabelece”? Pois, se for na nossa terra, no Amazonas, se estabelece sim! E além de se estabelecer, ás custas do sacrifício do nosso povo, ainda faz é deboche da nossa cara indo para os meios de comunicação e dizendo que estão é tendo prejuízo mantendo negócios no Amazonas, como já fizeram os empresários de ônibus. E aí, quando a gente se depara com um absurdo desse, dá vontade de questionar: “Se está tendo prejuízo, então porque não vai embora? Ah!!! Vai, por favor!”.

Que prejuízo é esse?

O mais impressionante é que o prejuízo é tão grande – deboche, viu gente? – que dá até pra ficar no final do ano, na beira da praia, no Rio de Janeiro e esticar as férias até o carnaval, com direito até a camarote na Sapucai, no desfile das escolas de samba. Ôoooo prejuízo bom esse , né mesmo meu povo?

Esquisito

E, eu confesso, achei muito esquisito porque não vi nenhum colega da imprensa questionando os milhões que saem dos cofres públicos para as contas bancárias dos empresários de ônibus em forma de subsídio para o transporte público – se alguém tiver publicado e tiver passado despercebido aos nossos olhos, por favor, nos avisem.   E ainda li, rangendo os dentes, todo mundo publicando o release da Prefeitura de Manaus com a mesma frase: “Após três anos sem reajuste…”. Primeiro, não fazem três anos, mas apenas dois anos – o último reajuste para R$ 2,75 foi no final de 2012 e depois será que dava pra não começar a matéria justificando o aumento? (Any Margareth)