Com lockdown ou sem lockdown tem que dar um jeito de tirar esse mundão de gente das ruas

O Ministério Público do Amazonas (MPE), a exemplo do que aconteceu em outros Estados, como o Rio de Janeiro por exemplo, ingressou com Ação Civil Pública na Justiça estadual para que seja implantado o chamado lockdown, que significa confinamento, e consiste em fechar praticamente tudo com exceção das farmácias, supermercados e hospitais. E foi só essa notícia ser publicada pra haver as mais diversas reações, muitas delas criticando o pedido feito à Justiça pelo MPE.

Mas, para aqueles que criticam e chegaram até a esculachar nessa terça-feira (5) o MPE, como por exemplo a assessora do desembargador que diz num áudio que “o MPE quer é aparecer”, eu pergunto: – o que fazer então pra tirar tanta gente das ruas? Numa breve saída de casa, qualquer um pode ver que há lugares da cidade em que nem parece que estamos em meio a uma pandemia e que o Amazonas vem tendo seguidos recordes de mortos por dia. O último boletim epidemiológico apontou 65 mortos em apenas 24h. O Brasil também bateu esse desolador recorde de mortos pela Covid-19: 600 mortos em 24h.

Então, apelo aos críticos de plantão: vambora gente! Dá uma ideia aí pra conseguir tirar, pelo menos em parte, esse povo da rua! Como deve ser de conhecimento geral, ainda não há vacina e nem um medicamento antiviral específico para Covid-19. Infelizmente, para meu desespero, assim como para milhares e até milhões de outras pessoas, o isolamento social é a única forma de conter os níveis de contaminação pelo novo coronavírus, consequentemente bloqueando a chamada contaminação comunitária, evitando que pessoas infectadas, principalmente aquelas que não apresentam sintomas, continuem transmitindo o vírus para várias outras, sobrecarregando o sistema de saúde pública e provocando cada vez mais mortes.

Até mesmo países de primeiro mundo, com sistemas de saúde pública bem estruturados, recorreram ao lockdown! Por que o Amazonas não recorreria a esse instrumento? Não digo que tudo tenha que parar, mas temos que chegar a pelo 70% de isolamento social, índice apontado por infectologistas e pesquisadores como perto do ideal para brecar os níveis de contaminação – o que os especialistas denominam de achatar a curva epidêmica.

O que não dá pra aceitar é ficar de braços cruzados e ver com naturalidade nossos irmãos morrendo na porta de hospitais lotados, estruturas caóticas fruto do descaso do poder público, o mesmo poder público que tem obrigação de desenvolver ações que mantenham grande parte desse povo em casa. Por isso, se não aceita lockdown, diz ai o que fazer mano?