Com o sistema de saúde em colapso, secretária apresenta à Aleam plano de ‘promessas’ para combate ao covid-19 no AM

Em audiência pública virtual com parlamentares da Assembleia Legislativa do Estado (ALE-AM), a secretária de Estado da Saúde, Simone Papaiz, desconversou em algumas respostas e, em outras, apresentou um plano de ações do governo, mas não com a urgência que o momento pede. Ela falou de ações que podem ser executadas pelo Governo nos próximos dias para combate ao covid-19.

Segundo ela, o Estado não abriu os 400 leitos no Hospital Delphina Aziz como prometido porque a organização social que gerencia o hospital está com dificuldade para contratação de médicos intensivistas. Também não ficou claro quando o hospital funcionará em sua totalidade.

Depois de quase cinco horas de discussões com os parlamentares e tentativa de respostas aos questionamentos, a secretária rebateu as críticas de que o Governo abriu o Hospital Nilton Lins com falta de equipamentos, insumos e equipamentos de proteção individual (EPIs).

“Não dá para esperar abrir uma unidade perfeita. Nós não vamos deixar de abrir uma unidade por detalhes. Ou nós tomamos a decisão de abrir leitos ou vamos esperar excelência das unidades”, afirmou a secretária ao dizer que aceita as críticas, mas que a abertura da unidade de saúde foi uma opção de gestão. O impressionante deste momento é a secretária classificar como “detalhe”, o governo prometer 400 leitos e entregar oficialmente 16 leitos que o Conselho Regional de Medicina desqualificou como UTIs.

Segundo ela, 98% das Unidades de Terapia Intensiva (UTI) estão ocupada nos hospitais do Amazonas e há um déficit de, pelo menos, mil leitos. Somando os hospitais da rede pública de saúde (28 de Agosto, Platão Araújo, João Lúcio e Delphina Aziz), o Amazonas possui 1.039 leitos de UTIs quando o mínimo ideal seria 2,1 mil, uma conta que o governo do Estado já tem conhecimento não é de hoje e pouco ou nada fez pra resolver o problema.

“A nossa estratégia tem único foco: aumento de leitos. A estratégia é conseguir girar esses pacientes nas UPAs e colocar para os hospitais de referência”, informou a secretária Simone Papaiz, sem detalhar de que forma isto será feito.

Questionado pelo defensor público Arlindo Gonçalves, participante da audiência, o secretário executivo adjunto de atenção especializada da capital da Susam, Ítalo Valle Cortez, afirmou que, até a manhã desta quarta, 41 pacientes aguardavam uma vaga para UTI na rede pública de saúde.

“Esse número é muito volátil, muda. Não tenho esses dados agora porque estamos – os três secretários da Susam – aqui, a quase três horas, respondendo aos senhores (deputados). Então não tenho esse dado”, disse ao ser questionado sobre o número de pacientes que aguardavam vagas em UTI. Após ser pressionado pelos parlamentares, o secretário acabou dando o dado mais recente que tinha anotado em um papel.

Na ocasião, o presidente da Aleam, Josué Neto (PRTB), detalhou para a secretária de Saúde quais as medidas que deveriam ter sido tomadas e ainda podem ser adotadas pelo Governo Wilson Lima, para salvar vidas na luta contra o coronavírus.

Faltam leitos e intensivistas – Entre as promessas feitas pela secretária durante a audiência, estão a do aumento de leitos nas unidades hospitalares para atender pacientes com covid. Segundo ela, o Hospital de Delphina Aziz não está funcionando com 100% da sua capacidade em razão da Organização Social que administra a unidade estar com dificuldades de contratação de intensivistas.

Além disso, a titular da Susam alegou que o Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV) vai abrir 31 vagas para atender pacientes com coronavírus, no entanto, só após a unidade conseguir contratar profissionais de saúde para o local.

No último dia 16, o HUGV já havia convocado 80 profissionais de saúde entre médicos e enfermeiros intensivistas e de emergência, além de técnicos de enfermagem, fisioterapeuta e anestesiologistas para atender na unidade de saúde durante o período de pandemia.