Com poucos agentes de endemia no município, Manaus registra surto de dengue (ver vídeos)

Foto: Mário Oliveira/Secom

Atualmente a Prefeitura de Manaus está sem agentes de endemia para atuar no combate de doenças como a dengue, o que tem contribuído para o surgimento de surtos da doença na capital. A informação foi dada pelo presidente do Sindicato dos Trabalhadores de Combate e Controle de Endemias do Amazonas (Sindagente), Lourival Pereira, na tarde desta terça-feira (6). (veja vídeo no final da matéria).

Em entrevista ao Radar, Lourival Pereira afirmou ainda, que os poucos servidores da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM), estão cedidos para a prefeitura, já que o município não tem agentes de endemia justamente no período de chuvas, o que torna mais propício a proliferação dos mosquitos transmissores de doenças, como a dengue.

“Nós temos menos de 500 agentes, e desse total temos 30% de agentes direcionados para o combate da dengue, que é na área urbana da nossa cidade. Então é insuficiente esse número de agentes, então é humanamente impossível fazer essa vigilância”, disse Lourival Pereira.

Além disso, o presidente do Sindicato, denunciou a falta de estrutura para os agentes de endemias e a ausência de vacinação contra a covid-19, de modo que estes agentes precisariam dessa vacinação pois podem servir de vetor para a transmissão do vírus aos moradores.

Ainda de acordo com Lourival Pereira, o Ministério da Saúde (MS) determina que a capital Manaus para ter uma vigilância adequada seria necessário um quantitativo de 978 agentes de endemias, no entanto o quantitativo atual é de 498.

Surto de dengue

Foto: Geovani Leite/Radar Amazônico

O reflexo da falta de agentes já está sendo sentido no bairro Galileia, na zona Centro-Oeste de Manaus, onde os moradores estão convivendo com um surto de dengue.

Na tarde dessa quinta-feira (6), o Radar recebeu a denúncia, de que uma caixa d’água  da empresa Águas de Manaus, localizada na rua 30, está abandonada a mais de oito anos, e mesmo com inúmeras denúncias à Prefeitura nada foi feito.

“A minha filha está com dengue há dois dias, minha vizinha também está doente, e eu me preocupo com a minha mãe que já é uma senhora de idade. Já liguei para o 0800 da Semsa, eles me disseram que tenho que fazer um ofício e anexar os diagnósticos de dengue. É como se eu tivesse ligando mentindo e pedindo um favor”, desabafou a moradora Fabiana Soares.

Os moradores acreditam que a caixa d’água abandonada seja o principal foco de dengue na região, porém há dias tentam contato com a Prefeitura de Manaus para resolver a situação, mas até agora não obtiveram uma resposta.

O Radar entrou em contato com a assessoria da Prefeitura para questionar o motivo de até agora ainda não ter ocorrido uma fiscalização na referida caixa d’água, em resposta a Prefeitura afirmou que “A Secretaria Municipal de Saúde de Manaus esclarece que recebeu a denúncia na tarde de terça-feira, 6/4 e que já programou para esta quarta-feira, 7/4, inspeção no local”.

A empresa Águas de Manaus informou por meio de nota que programou a limpeza na área do reservatório desativado da rua 30 para a próxima semana e seguirá monitorando o local com rondas de segurança patrimonial.

Confira a nota na íntegra

A Águas de Manaus informa que a unidade em questão está inativa, ou seja, não faz parte do sistema de abastecimento da cidade. A área do conjunto Galiléia é abastecida atualmente por uma estrutura mais moderna, integrada ao Sistema Hidráulico da Cidade Nova. A concessionária programou a limpeza na área do reservatório desativado da rua 30 para a próxima semana e seguirá monitorando o local com rondas de segurança patrimonial.