Com “projeto jabuti” para antecipar eleições na Assembleia, bancada de Melo ia dar “pernada” até no Belão

Belão e o Netinho, pernada

Essa, até euzinha aqui, achei difícil acreditar! Só dei crédito porque o interlocutor que me contou a história é dos mais confiáveis. O vice-presidente da Assembleia Legislativa do Estado (Aleam), Belarmino Lins, sete mandatos e uma fama de expert em manobras e espertezas políticas estaria pra lá de aborrecido porque se deu conta que quase leva uma retumbante pernada arquitetada por seus próprios companheiros de Mesa Diretora da Casa e de bancada do bom e humilde filho de seringueiro, governador professor José Melo, a quem Belão tem servido com presteza para aprovar tudo que é projeto, mesmo os mais antipáticos e impopulares.

E a frente da pernada histórica estaria ninguém menos que seu pupilo, o deputado-presidente Josué Neto, a quem Belão tem socorrido nas horas mais difíceis fazendo a “dança das cadeiras” – Josué levanta e Belão senta – no papel de presidente para enfrentar a sanha da oposição e até de aliados com pose de independência durante as votações de matérias do Executivo difíceis de engolir até para quem tem goela grande e estômago forte.

A pernada se materializou com um denominado “projeto jabuti”, matérias legislativas que de tão esdrúxulas e absurdas são comparadas ao ato de um jabuti conseguir subir em árvore. O “jabuti”, dessa vez, foi o projeto de Resolução, de autoria da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa do Estado (Aleam), que trata da “doação de bens móveis inservíveis do Poder Legislativo para entidades filantrópicas” e que, totalmente fora do contexto da matéria, traz bem no finalzinho do texto mudanças no Regimento Interno da Casa antecipando a eleição para o biênio 2017/2018 da mesa Diretora, que deveria ser no final do ano, para o primeiro trimestre de 2016, ou seja, até o final de março, por livre convocação de Josué Neto.

Só que Belão, segundo o interlocutor, não teria o menor conhecimento de que o “jabuti” ia subir na árvore. Momentos antes do início da sessão plenária, Belão teria passado mal, com problema de pressão e, seguindo orientação médica, teria ido pra casa. Diz o interlocutor que a pressão de Belão quando soube que “o jabuti subiu na árvore” foi parar na lua de tão alta. Isso porque Belão teria saído do PMDB de Braga e se transformado no líder do PROS de Melo na Aleam, até mesmo com a possibilidade de Braga virar governador, acreditando que Melo vai se segurar no cargo até o final do ano por causa da lentidão de “jabuti” da justiça Eleitoral provocada por recursos e mais recursos. Isso daria tempo dele (Belão) virar presidente da Casa, com o devido apoio de Melo.

Mas, a decepção do Belão foi saber que seus “mui amigos” estavam tentando antecipar eleições para os cargos da Mesa Diretora sem seu conhecimento e sem sequer ele fazer parte da Mesa. E pra piorar a decepção o governador bondoso professor Melo devia saber de toda a tramoia, já que os deputados de sua bancada não fariam nada sem lhe comunicar, né mesmo gente?

E ficou pior ainda a situação na hora em que Belão soube que ia levar uma pernada do tipo “meia lua inteira de capoeira” até mesmo do pequenino deputado petista Sinésio Campos, que estaria fechado com o grupo, querendo nada menos do que o cargo de vice-presidente da Mesa Diretora, exatamente o cargo dele (Belarmino Lins).

E pra acabar tudo, o grupo do bom e humilde governador Melo ainda deu “um não tô nem aí” pro Belão, dizendo que o jabuti vai subir na árvore novamente na semana que vem – o mesmo que dizer que o projeto vai ser reapresentado – goste o Belão, ou não! (Any Margareth)