Com queda na demanda, Gol e Azul reduzem voos domésticos em 90%

(Dado Galdieri/Bloomberg/Getty Images)

Após reduzirem seus voos internacionais, as companhias aéreas brasileiras Gol e Azul anunciaram que vão cortar também o número de voos domésticos. O anúncio foi feito nesta terça-feira, 24.

A Gol, que já tinha cancelado todos os voos internacionais, disse em nota que está fazendo uma “readequação” da malha doméstica a começar pelo próximo sábado, 28. As mudanças duram até 3 de maio. Neste período, somente as operações em capitais serão mantidas. A malha nos próximos meses terá 50 voos diários, conectando todos os estados brasileiros ao aeroporto internacional de São Paulo, em Guarulhos (SP). O limite de conexões também vai aumentar para não prejudicar a ligação entre as cidades.

Já a Azul espera operar a partir de quarta-feira, 25, voos para apenas 25 cidades. A empresa já havia reduzido seu número de voos internacionais há algumas semanas. Também foram feitos cortes nos custos de operação, com 7.500 funcionários no programa de licença não-remunerada (mais da metade da força de trabalho). Os salários foram reduzidos em 50% para diretoria e em 25% para gerentes.

“Acompanhando a desaceleração que estamos vendo na economia brasileira, estamos adotando medidas imediatas para reduzir nossos custos, e preservar nossa posição de caixa”, disse em comunicado aos investidores o presidente da Azul, John Rodgerson, em nota publicada nesta terça-feira.

A Gol informa que, com as mudanças, terá reduzido sua oferta de voos domésticos em 92%. A redução na Azul é da ordem de 90%.

As empresas sugerem que os clientes remarquem as viagens e dizem que não cobrarão taxa de alteração nas passagens, com exceção de alguns períodos, como em alta temporada. As aéreas recomendam que as dúvidas e procedimentos sobre as passagens sejam tiradas no site (neste link para Gol e neste link para Azul) e em outros canais digitais, para evitar aglomerações em espaços físicos.

A queda na procura por voos domésticos em março apontada pela Gol vêm sobretudo de uma tendência de menor atividade de viagens corporativas, como mostrou reportagem anterior da EXAME. As viagens corporativas representam boa parte do faturamento recorrente das companhias aéreas. Com muitas empresas em trabalho remoto e cancelando viagens de executivos diante da pandemia, a demanda sofreu, mesmo nos mercados domésticos. Eventos corporativos como feiras também foram todos cancelados.

A redução de viagens corporativas pode, inclusive, continuar acontecendo mesmo após o fim do pico do coronavírus, com empresas tentando enxugar custos em meio às perspectivas de recessão global.