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Com um projetozinho de duas folhas, Wilson leva a primeira peia na Assembleia

O governador Wilson Lima (PSC) levou, nessa quarta-feira (13), sua primeira peia na Assembleia Legislativa do Estado (Aleam). Wilson Lima quer autorização da Assembleia Legislativa do Estado (Aleam) para se apossar de mais de R$ 200 milhões do Fundo de Fomento ao Turismo, Infraestrutura, Serviços e Interiorização do Desenvolvimento do Estado do Amazonas (FTI) pra gastar, segundo ele, em “investimentos para melhoria ou ampliação da rede pública de Saúde do Estado” – o “governo do novo” que fazer igualzinho o “governo do velho” já que o ex-governador cassado José Melo também se apossou do dinheiro do FTI e a saúde pública só ficou pior.

Só que Wilson Lima achou que, com umas poucas palavras em dois pedaços de papel, – isso mesmo minha gente, o projeto do governador se resumia em duas folhas de papel – iria convencer os deputados a dar-lhe autorização pra fazer o que bem entendesse com o dinheiro destinado ao povo sofrido do interior. Se enganou redondamente porque, diferente da época de José Melo, os deputados querem mais explicações sobre o uso desses recursos e a garantia de que ele vai ser utilizado mesmo em investimentos na saúde, inclusive do interior. E diferente do eleitor, que acreditou de coração nas boas intenções do então candidato Wilson Lima, os deputados parecem lembrar que de boas intenções o inferno anda cheio.

Após receberem a mensagem governamental no Plenário da Aleam, os parlamentares ficaram esperando chegar o projeto em si, até que foram informados que o projeto se tratava exatamente daquele documento: duas páginas, com um texto que não nada com cosa nenhuma e só pedia a liberação dos recursos do Fundo. (Veja a mensagem do Governo na íntegra no fim da matéria) – a euzinha fiquei pensando cá com meus botões: cadê as “pessoas capacitadas” da trupe do Wilson e dos Calderaro que estão lotando os cargos comissionados do Governo? Não tem nenhum técnico em projeto por aí?

Nem mesmo os parlamentares da base do Governo ou os líderes de Wilson Lima (PSC) – Carlinhos Bessa (PV) e Joana D´arc (PR) – conseguiram argumentos para manter o projeto em pauta e sair em defesa do Governo.

“O governador Wilson Lima não diz como vai utilizar o recurso. O governador precisa entender que não vai governar o Estado ‘jogando gelinho’, criticou o deputado Felipe Souza (PHS), ao fazer referência ao hit do cantor amazonense Luciano Kikão, “Jogando o gelinho”, utilizado na campanha do governador.

A vice-presidente da Assembleia, deputada Alessandra Campêlo (MDB), até disse ser favorável ao projeto, mas desde que ele venha embasado, com todos os argumentos técnicos necessários para que fique bem claro em que os recursos serão aplicados, qual percentual será utilizado e a partir de quando entrará em vigor. “Vejo que o projeto precisa amadurecer, não poderá ser votado às pressas. Precisamos estabelecer cláusulas temporais, além do prazo que ele vai vigorar.

De acordo com a líder do MDB, a mensagem do Governo do Amazonas que trata do FTI, servirá de solução para o problema enfrentado na saúde pelo Estado.

“Vejo que o projeto precisa amadurecer, não poderá ser votado às pressas. Precisamos estabelecer cláusulas temporais, além do prazo que ele vai vigorar. O FTI é uma fonte que não pode ser usado para custeio. Então, ele vai ser remanejado para investimentos em outras fontes e esses recursos de outras fontes que vão ser investidos na Saúde. Temos que colocar no papel a Lei, estabelecer claramente os critérios”, afirmou a deputada.

Para o deputado Dermilson Chagas (PP), a mensagem governamental de nº 39/2019 que repassa recursos do FTI para quitar dívidas com as cooperativas médicas é um “cheque em branco”.

“Não sou contra saúde, mas isso é um cheque em branco. Este projeto não tem início e nem fim vai fazer com que o governador use ano que vem, sem precisar da uma nova aprovação da Assembleia, por não haver a validade. E com isso, vamos perder mais uma vez o poder que nos foi dado pelo povo”, disse Dermilson.

Na avaliação do deputado Wilker Barreto (PHS) – único declaradamente de oposição na Aleam – faltou sustentação e aprofundamento no projeto de lei encaminhado pelo Governo.

“Não estou vendo plano de ação do Governo e agora querem que a Assembleia aprove mais de R$ 200 milhões do FTI, sacrificando o interior nas suas políticas de desenvolvimento, sem nenhum plano de contingenciamento. Aqui não é agência de fomento não”, criticou Wilker Barreto.

Depois das críticas dos parlamentares, o líder de Wilson Lima na Assembleia, Carlinhos Bessa (PV), pediu para que o projeto fosse retirado de pauta. “Quero pedir que a mensagem 39 seja retirada de pauta para buscar informações técnicas para embasar a votação”, disse, timidamente, do seu lugar no Plenário, Carlinhos Bessa.

Melhor tirar de pauta antes de levar mais peia ainda, né nobre líder?

Leia o projeto do Governo na íntegra.