Com uma Assembleia sitiada pela polícia, 12 deputados aprovam aumento de ICMS

Não adiantou manifestações contra o projeto, nem a presença de representantes de entidades empresariais e muito menos os apelos de empresários e de alguns deputados para que seus colegas parlamentares pelo menos aprovassem mudanças no projeto do governo de Melo que aumenta em 2% o ICMS sobre inúmeros produtos, inclusive a gasolina e o óleo diesel. Os deputados governistas, num total de 12, aprovaram o aumento da carga tributária, contra nove deputados que votaram contra o projeto.

O prédio da Assembleia Legislativa do Estado (Aleam) esteve sitiado pela Polícia Militar nessa quarta-feira (29), desde o portão de entrada da área externa que dá acesso à Avenida Mario Ypiranga onde policiais colocaram cones para impedir a entrada dos veículos, sob a justificativa de que não havia mais nenhuma vaga – logicamente que era mentira, né meu povo, já que entramos com carro e tinha vaga sim!

Os manifestantes também foram barrados no portão pela PM e tiveram que ficar na rua pegando chuva. Alguns poucos que conseguiram a duras penas ter acesso a entrada das galerias da Casa, a mesma porta por onde passa a imprensa, não conseguiram entrar e também ficaram na chuva. A justificativa era praticamente a mesma do portão de entrada do terreno da Assembleia: não tinha lugar.

Dessa vez, a justificativa não era mentira, mas o que ninguém, logicamente, explicava é que os assentos nas galerias estavam ocupados por funcionários dos gabinetes dos deputados e por servidores da Seduc, cumprindo ordens de lotar o lugar e aplaudir qualquer troço – nesse caso sinônimo de projeto –  do Governo, mesmo que fosse aumento de impostos – desolador alguém ter que se prestar a esse papel, né mesmo gente?.

E se você pensa que ser barrado e tratado grosseiramente foi tratamento dado pra manifestante contra projeto do Governo do “bonzinho e humildezinho governadorzinho”, se enganou redondamente. Jornalista foi obrigado a achar outro caminho pra chegar a sala de imprensa da Casa porque era polícia pelo lado de fora e os seguranças da Assembleia pelo lado de dentro da porta de entrada dos repórteres, sem dar qualquer explicação pra não deixar passar, apenas que era uma ordem do Chefe da Casa Militar, tenente coronel PM Claudenir dos Santos Barbosa, um dos tantos PMs cujo salário é pago com dinheiro do nosso bolso para servir e proteger a população, mas está servindo e protegendo os interesses do presidente da Casa, Davi Almeida, e de sua trupe de aliados.

E por falar em polícia…

E se tinha PM pra tudo que é canto na Assembleia Legislativa do Estado (Aleam), também não faltou no plenário da Casa para garantir que Melo tivesse mais dois votos a favor de seu projeto do aumento do ICMS. Os deputados PMs Platiny Soares e Cabo Maciel entraram mudos e saíram calados, sem dizer uma palavra pra justificar o voto, mas na hora da votação se resumiram em apertar o botão do sim pra votar a favor do Governo.

Mas, esses dois, aconteça o que aconteça, até que seja projeto contra a PM, todo mundo sabe que sempre votam com o governador e ponto final. Mas a surpresa ficou por conta do deputado Dermilson Chagas que andou fazendo duras críticas ao aumento de impostos e os prejuízos que a medida iria causar para empregados e empregadores, mas nãos se sabe qual foi o convencimento – a gente até sabe, mas não pode dizer agora não! – que o fez mudar de ideia e votar a favor do aumento de impostos do “professor” governador.

O que se sabe é que vários empresários disseram ao Radar terem se sentidos traídos por Dermilson Chagas, já que saíram elogiando sua postura, inclusive nas redes sociais e na hora da votação foram surpreendidos com o voto a favor do aumento da carga tributária. E tem deles que prometem: vai ter troco!

Caiaque e carro  

E as explicações dadas pelo deputado dono da Samel, Ricardo Nicolau – ele deve ficar rindo porque o aumento de impostos não é sobre serviços de saúde, né mesmo meu povo? – deixou jornalistas se entreolhando boquiabertos e, logicamente, rindo porque ninguém é de ferro. Imagine que o deputado, que defende o projeto de Melo, entendeu – ou será que só fez de conta, gente! – que na lista de produtos que vão sofrer aumento de 2% da alíquota de ICMS, onde está escrito  “barco a remo”, ninguém deve entender que é canoa, mas sim caiaque – depois dessa, resta perguntar: qual será a praia dele gente? No interior é que não é, não é mesmo?

E em mais uma daquelas estratégias que euzinha aqui chamo de “pega leso”, o Nicolau e seu líder político, governador Zé Melo, acharam que alguém era leso de ficar satisfeito com a aprovação de uma emenda ao projeto de aumento de impostos, do Nicolau logicamente, enquanto que as emendas de todos os outros deputados foram rejeitadas.

A emenda aprovada do Nicolau conseguiu tirar da lista de “supérfluos de Melo”, aqueles produtos que vão sofrer aumento de impostos, os carros utilitários. E as gargalhadas dos jornalistas ficaram por conta do arremate do deputado José Ricardo Wendling: “quer dizer que tira da lista os veículos, mas deixa a gasolina na lista de supérfluos com aumento de imposto, é?” Que negoção, né meu povo! (Any Margareth)