“Comandante” comunista Eron Bezerra fala em “oposição dura” ao Governo, deputada do PC do B demonstra que nem tanto

Eron e Alessandra

O presidente estadual do PC do B, ex-secretário da Sepror, Eron Bezerra, que esteve neste domingo (01) na Assembleia Legislativa do Estado (Aleam) na posse dos deputados eleitos, entre eles a deputada eleita pelo partido, Alessandra Campelo, disse ao Radar não ver qualquer problema na parlamentar comunista votar no presidente Josué Neto à reeleição, mesmo sendo ele da bancada governista.

“Temos que deixar uma coisa bem clara: oposição ao Governo não tem nada a ver com eleição no Legislativo. E essa é a nossa luta pra que ele (Legislativo) cada vez seja menos Executivo. O Legislativo é um Poder independente, a parte. O PC do B não fechou questão sobre o problema da Mesa (Diretora). A parlamentar do partido está livre, está liberada pra fazer o que bem entender com seu voto já que nós não fechamos questão e não entendemos que isso seja uma mudança de posição”, explicou o “comandante” comunista no Amazonas.

Mas, quando se fala na posição do partido quanto ao Governo, seja ele estadual ou municipal, Eron Bezerra endurece o discurso. “A orientação do partido é clara e já tem resolução e a Alessandra (Campelo), que é uma militante histórica, vai cumprir, ou seja, a posição do PC do B é oposição ao governo Melo e ao prefeito Artur Neto, oposição “dura”, com resolução aprovada pelo Comitê estadual”, afirma.

Já a deputada comunista Alessandra Campelo tem uma posição bem mais branda quando é questionada sobre sua posição. Apesar de repetir a frase dita por Eron Bezerra, logo depois das eleições de outubro passado, quando a coligação da qual o partido fazia parte (a de Braga) perdeu as eleições – “Quem ganha a eleição governa e quem perde a eleição faz oposição” – ela diz que não vai “ser contra por ser contra, gratuitamente”. E fala sempre num tom bem mais pessoal, do que partidário. “Eu quero aqui ter uma postura de independência no sentido de votar no que eu achar coerente e bom pra população. Não simplesmente o que alguém considere bom ou não. Eu acho que vou ter que analisar. Tenho uma responsabilidade com os eleitores que me elegeram e com todo o Estado do Amazonas”.

A parlamentar diz que não vê qualquer discordância entre essa sua “postura de independência” e resolução do seu partido, o PC do B, que determina oposição aos Governos estadual e municipal. “Meu partido faz parte da bancada de oposição. Mas, eu quero aqui votar com coerência, inclusive pra ser oposição a gente tem que reunir e discutir e não apenas ficar com propostas prontas no plenário e achar que os colegas, por isso, vão acompanhar”, argumenta a deputada comunista. (Any Margareth)