Comandante do Ronda no Bairro fala ao telefone sobre “Operação Eleição” para reeleger Melo, eleições 2014 (ouvir áudio)

Pra votar e pedir voto pronto

Enquanto Manaus enfrentava onda de violência cada vez mais crescente, o secretário executivo adjunto do Ronda no Bairro, coronel PM Roosevelt, aparece em mais uma gravação telefônica enviada ao Radar, que teria ocorrido no segundo turno das eleições de 2014. No telefonema, o coronel trata de uma denominada “Operação Eleição” e diz que está fazendo um “planejamento” onde estão incluídos 30 policiais militares enviados para o interior do Estado com passagens e diárias pagas, logicamente com dinheiro público. Em dado momento da conversa, o coronel pergunta: Esses caras tão indo pra pedir voto, ou pra que é? O outro policial militar ao telefone, responde: pra tudo. Pra votar e pedir voto!

O coronel ainda avisa ao telefone como os policiais devem agir: “vota e faz o serviço deles lá, discretamente porra!”. O coronel pergunta ao telefone se esses policiais não poderiam também ir pra outros municípios, não somente aqueles para os quais estão destinados. Ouve como resposta que os municípios listados são os domicílios eleitorais desses policiais, ou seja, cidades de origem desses PMs, o que significa que esses homens poderiam agir mais livremente, numa séria afronta aos preceitos legais.

Essa conversa ao telefone do comandante do Ronda no Bairro vem a confirmar ligação telefônica anterior publicada pelo Radar onde o oficial determina a ida de 20 PMs para os municípios de Tabatinga, Itapiranga, Iranduba, Rio Preto da Eva, Lábrea e Itacoatiara. Alguns internautas questionaram, no facebook do Radar que, na primeira gravação, o coronel e seu interlocutor ao telefone não falam sobre votos. E como o Radar não deixa de comprovar o que capta, está ai do que se tratam as “missões” cumpridas por policiais militares durante o segundo turno das eleições de 2014.

Mais um processo

Essas gravações reafirmam ainda argumentações que estão em mais um dos vários processos de pedido de cassação do governador José Melo, desta vez uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) feita pela Procuradoria Regional Eleitoral (PRE), que trata do uso do aparelho policial do Estado em benefício do então candidato à reeleição, governador José Melo. Nesse processo há escutas telefônicas feitas pela Polícia Federal, autorizadas pela Justiça – fontes do Radar dizem que as interceptações telefônicas trazem casos cabeludos de corrupção eleitoral cometidos pela cúpula da Segurança Pública de Melo, à época.

O Radar teve acesso a parte do conteúdo desse processo e lá está escrito: “flagrantes configurações de abuso de poder político”. E o Ministério Público Eleitoral conclui:  a corporação policial foi utilizada como verdadeiros cabos eleitorais atuando em diversos municípios do Amazonas sempre com o objetivo de beneficiar o candidato José Melo”.

A partir das escutas telefônicas, o Ministério Público lista as ilegalidades cometidas por policiais a mando de “oficiais envolvidos no esquema eleitoral”:

  • “Liberação de ônibus apreendidos transportando eleitores de José Melo;
  • Embaraço no deslocamento de eleitores do candidato adversário (Braga);
  • Utilização de veículos oficiais em favor da campanha do Governador José Melo;
  • Coação de Policiais Militares, sob pena de perda de função, remoção ou transferência;
  • Designação de Policiais Militares para municípios do interior onde o governador foi derrotado no primeiro turno das eleições, com objetivo de reverter o resultado (a qualquer custo);
  • Liberação de pessoas da campanha de José Melo detidas por compra de votos;
  • Tentativa de apreensão de material de campanha do adversário;
  • E por último, talvez as mais sérias acusações que recaem sob a campanha do governador: “Um esquema preparado e organizado para a prática de corrupção eleitoral, bem como a utilização de aparato da segurança pública para escoltar e dar apoio logístico no transporte e distribuição de numerário (dinheiro), possivelmente para pagamento de despesas eleitorais não contabilizadas”. (Any Margareth)