Como a matéria do Radar foi parar na Polícia Federal

Foto: Radar Amazônico

Em uma das páginas do inquérito da Polícia Federal (PF) que apura casos de desvio de recursos da saúde pública do Amazonas, entre eles a compra superfaturada de ventiladores pulmonares em uma loja de vinhos, tem um relatório com documentos que teriam sido encontrados durante mandado de busca e apreensão no gabinete do vice-governador Carlos Almeida. O mandado de busca e apreensão foi executado na segunda fase da Operação Sangria que aconteceu no início deste mês de outubro.

Encabeçando a lista de documentos que, segundo os policiais federais, teriam sido encontrados no gabinete de Carlos de Almeida, tem um que tem nome: “Contratos da velha política são mantidos por Wilson Lima com aditivos milionários”. No relatório da PF não tem a origem. Mas bastou um olhar pra gente saber de onde veio. Esse documento é uma matéria do Radar.

A matéria trata de contratos milionários do Governo de Wilson Lima com empresas que estavam no governo anterior, contratos estes que foram alvo de duras críticas por parte do então candidato Wilson Lima, durante a campanha política de 2018.

Estas empresas são aquelas conhecidas como “faz tudo”, desde a construção de rodovias, passando por manutenção predial, até terceirização de serviços de motoboy e garçom e alimentação especial para pacientes de unidades de saúde do Estado. Mas, apesar de ganhar milhões, é uma dificuldade encontrar até mesmo o endereço dessas empresas e quando se encontra o local onde dizem estar funcionando, o que se nota é a falta de estrutura para uma pessoa jurídica que fornece tanta coisa para o Estado e ganha milhões.

A matéria do Radar agora faz parte dos documentos que estão no inquérito.

O advogado de defesa do vice-governador, Carlos Almeida, explicou que o documento faz parte do levantamento de matérias sobre o governo que saíram na mídia digital. Lá isso é verdade!

Mas, se a PF decidir investigar as informações que estão nesta matéria, vai ver que os indícios de irregularidades na administração estadual vão muito além da compra de respiradores em loja de vinhos.