Como as técnicas para curar vícios podem te ajudar a melhorar seus hábitos financeiros

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Quantas vezes você já tentou parar de fumar ou melhorar a sua alimentação, mas não obteve sucesso? Eliminar hábitos ruins em nossas vidas muitas vezes pode parecer um desafio imenso, mas a verdade é que existe um caminho praticamente impossível de falhar, desde que consigamos encarar os nossos hábitos de um modo mais analítico.

Quem tem vício em bebida alcoólica, por exemplo, nem sempre anseia pelo álcool em si, mas pelos efeitos que ele proporciona. Pode ser a sensação de alívio ou a possibilidade de esquecer problemas momentaneamente. A fundamentação dos 12 passos que guiam grupos de Alcoólicos Anônimos tornou-se famosa justamente por ter aberto caminho para uma técnica eficaz na mudança de hábitos. A verdade é que é praticamente impossível eliminar um hábito muito enraizado, mas podemos perfeitamente transformá-lo em outro melhor.

O processo responsável por concretizar esta mudança é descrito no livro “O Poder do Hábito” e pode ser usado como gatilho para transformações importantes em nossa vida financeira. A chave para que mudemos um hábito é criar uma rotina alternativa capaz de satisfazer nossos anseios antigos e que nos dê a mesma recompensa de antes.

Para que um hábito surja, é preciso trabalhar em etapas: uma deixa servirá de estímulo para uma rotina, a qual resultará em uma recompensa. Por exemplo, uma embalagem de chocolate serve como deixa para um viciado em açúcar. A rotina de comer chocolate gera a recompensa da sensação de prazer despertada pela ingestão do açúcar.

O caso do A.A. costuma ter tanta eficácia porque os 12 passos permitem que os participantes identifiquem suas deixas para procurarem a bebida. Entre as orientações, estão a tarefa de listar tudo que lhes desperta a vontade de beber e consequências negativas que experimentaram em função do álcool. Sendo assim, se a pessoa percebe que bebe pelo anseio de socializar e sentir-se aceita, os companheiros de reunião vão se esforçar para criar uma rotina que substitua a ingestão do álcool. A deixa do desânimo por não sentir-se aceito continua ali, mas em vez de buscar solução na mesa do bar, o participante gasta o tempo conversando com uma pessoa amigável e que o faz sentir-se bem. A recompensa da euforia também permanece a mesma.

Levando em consideração tudo isso, pense na última vez em que você gastou dinheiro desnecessariamente. Qual é a deixa que te levou ao consumo? Pode ser a vontade de sentir alívio depois de um dia estressante, de presentear-se depois de uma grande decepção ou mesmo pela vontade de sentir-se aceito entre outras pessoas também consumistas. Seja qual for a razão, se você encontra qual é a verdadeira recompensa que está buscando e o gatilho que te dispara em direção à uma loja, pode encontrar rotinas alternativas que lhe garantam a mesma satisfação.

Se tem dificuldades para juntar dinheiro, o mesmo princípio é válido. Procure correlacionar qual a sua deixa para ser tão “mão aberta” e qual sua recompensa para este comportamento. Ciente do que dispara este loop, você pode ser capaz de criar uma rotina em que economizar dinheiro te leve à mesma recompensa. Uma balada cara te garante felicidade por uma noite? Alimente em você o anseio de sentir a mesma felicidade em uma viagem bacana e você se sentirá mais motivado a criar a rotina de guardar dinheiro.

Nossos hábitos surgem de forma tão automática que muitas vezes é difícil perceber porque eles existem. Cabe a nós fazer essa pausa e analisar nossos comportamentos com mais cuidado, só assim podemos ficar livres de hábitos ruins.

Samy Dana/G1