Como é que é? A Câmara Federal trabalhando no domingo? E com transmissão ao vivo da Globo?

Cunha e a Globo

A toda hora a chamada aparece na programação da Rede Globo de Televisão como sua maior atração desse domingo: o julgamento do impeachment da presidente da República do Brasil, Dilma Rousseff, ao vivo! Cheguei até, num olhar de relance, a pensar que era a chamada de um clássico do futebol brasileiro, ou quem sabe o jogo da seleção nacional, com direito às declarações apaixonadas pra algum “craque” que não jogou nada e aos berros do Galvão Bueno: Fenoooomeeeno! E a cada chamada da domingueira da Globo, lá vem o plim plim, e depois dele uma entrevista do Eduardo Cunha – presidente da Câmara Federal – explicando como vai cassar a presidente do País, num lance que foi tão relâmpago qual os gols da seleção alemã na goleada de 7X1 no Brasil.

Desta vez, a Globo não tem exclusividade no “jogo” – lembrei agora do saudoso locutor e comentarista esportivo Luciano do Valle, da Band, que reclamava muito do monopólio da Globo. Mas, a Vênus Platinada montou um esquema digno de final da Copa do Mundo, com direito a chegada da comitiva do PMDB e do PSDB ávidos por entrar em campo e ganhar o “bicho” da partida ganha, nada menos que a presidência da República. Será que a grana do “bicho” vai dar pra comprar os Dior, Chanel e Louis Vuitton da mulher do Cunha, gente? Ou será que o Renan Calheiros – presidente do Senado – vai conseguir sustentar parentes com a grana do Senado com esse “bicho” republicano? E o Michel Temer vai poder usar o “bicho” pra sustentar seus acordos com os Paulos Maluf da vida, Bolsonaro, Marco Feliciano, e todos aqueles que votaram na comissão a favor do impeachment e, de quebra, bancar todo o tucanato do PSDB doido pra dar uma bicadinha igual à do mensalão mineiro?

Mas, pra garantir que a grana vai ser boa, tem ainda o dinheiro das luvas – importância paga pelos clubes aos atletas pela assinatura do contrato de trabalho. Afinal, a Globo conseguiu botar os caras que, muitas vezes, não trabalham nem três dias da semana, porque não tem quórum – poucos parlamentares em plenário – pra trabalhar num domingo – “jogo de impeachment” não dá audiência em dia de semana, né meu povo? E o contrato garante ainda que não vale “rasteira”, nem “carrinho por trás”. Nada de deixar ninguém lembrar de Lava Jato, nem de delação premiada, onde todos os “craques” do time do PMDB e do PSDB aparecem mais que cenas de sexo em novelas de horário nobre – ou seria melhor dizer que aparecem mais que Neymar em transmissão do Galvão Bueno?. A estratégia do jogo é fazer que nem zagueiro na área em jogo do Robinho (ex- Santos, hoje Atlético Mineiro), mirar nas pedaladas, só que essas são da Dilma!

E acho que ainda vai ter la babita de direito de imagem igual a de jogador da seleção brasileira com símbolo da Nike, pra quem decidiu participar do “jogo do impeachment”, né meu povo?  Aí, dá pra garantir, que não vai faltar recursos pro relator da comissão de impeachment, o deputado Jovair Arantes – será que é parente do Pelé? – , parlamentar do PTB de Goiás, continuar pagando com verba da Câmara Federal os jatinhos pra leva-lo pra Goiânia – distância menor do que Manaus a Itacoatiara de carro (208 quilômetro). E também não faltar dinheiro para os 36 dos 38 parlamentares que votaram a favor do impeachment – entre eles o Paulo Maluf, que igualzinha o Cunha jura que as contas na Suiça, no seu nome, não são suas –  pagarem advogados de Brasília, de preferência banca de ex-ministro do Supremo (Tribunal Federal), para os defenderem já que todos eles estão sendo processados na Justiça por vários crimes.

E está incluído no direito de imagem a transmissão direta da Globo de uma Luta de Vale Tudo, com direito a gritos, berros e, quem sabe, até troca de socos e pontapés dos parlamentares uns contra os outros, onde vale tudo mesmo, só não vale perder. E quem sabe não aparecem por lá as lindas e bem vestidas mulheres dos deputados com caras de ninfetas de 15 anos, a base de plásticas e cremes que custam mais que carro de luxo?

E, com uma atração domingueira como essa, a Globo pretende não perder de novo na audiência para os Dez Mandamentos da TV Record, do bispo Edir Macedo, onde só não existe um mandamento: não roubarás! (Any Margareth)