Condenado por comparar Bia Doria a uma vaca, Zé de Abreu reclama de censura

Reprodução/Instagram @josedeabreu

O ator José de Abreu afirma ter sido vítima de “censura judicial” após ter sido condenado pela Justiça paulista a pagar R$ 50 mil à primeira-dama Bia Doria. A declaração foi dada em um recurso apresentado contra uma decisão de setembro do juiz Douglas Ravacci, da 33ª Vara Cível, que considerou que Abreu ofendeu Bia Doria ao publicar o seguinte post no Twitter: “STF proíbe vaquejada mas permite que a Bia Doria dê entrevista? É um crime contra os animais…”….

“Não há como se reconhecer o exercício da liberdade de expressão”, disse o magistrado. “Não foi uma crítica, nem uma piada ruim, [Abreu] apenas se utilizou da decisão do STF para ofendê-la chamando-a de ‘vaca’.” Na sentença, o magistrado afirma que o valor de R$ 50 mil de indenização foi estipulado afim de compensar Bia pelo dano, bem como para desestimular a reiteração da ofensa. Ele também determinou a remoção do comentário da rede social.

No recurso apresentado ao Tribunal de Justiça de São Paulo, Abreu disse que o juiz, ao tratar de “manifestações futuras”, cometeu uma “evidente censura prévia judicial, em completo desrespeito à liberdade constitucional”. O ator afirmou à Justiça ter concluído que algumas pessoas públicas não podem ser satirizadas no Estado de São Paulo: “A crítica mordaz, nestes tempos insólitos, é pecado mortal, punível com o silêncio obsequioso da censura e com a pretensão de ajoelhar no milho da retratação”. Abreu declarou que não houve intenção de ofender a primeira-dama, mas apenas fazer uma crítica satírica no contexto de uma entrevista, segundo ele, “desastrosa”, que Bia havia concedido.

O ator fez referência a uma entrevista na qual a primeira-dama disse à Folha que sempre se sentiu como uma Evita Perón. “Eu me sinto do povo, eu me dou muito bem com pessoas mais humildes. Às vezes é só um aperto de mão, às vezes elas querem um abraço. É tão pouco o que elas querem.” A coluna procurou o juiz para tratar da acusação de Abreu, mas a assessoria de imprensa do TJ disse que ele não pode fazer comentários em razão da lei orgânica da magistratura, que proíbe os juízes de se manifestarem nos meios de comunicação sobre os processos em curso.

Assim como José de Abreu, Bia Doria também recorreu da sentença. A primeira-dama considerou que o valor de indenização de R$ 50 mil é baixo, levando em conta, segundo ela, a gravidade do ataque e o fato de que Abreu não demonstra qualquer arrependimento. Ela quer R$ 100 mil. O TJ ainda não julgou os recursos.