Confirmado: 47 mil alunos no interior do Estado ficam sem educação à distância

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A Secretaria de Educação do Amazonas (Seduc) suspendeu os projetos de aulas via satélite para o interior do Estado. O contrato com a empresa Jobast, responsável pela geração e transmissão de aulas via satélite para o interior do Amazonas e zona rural de Manaus, não foi renovado e, na manhã desta segunda-feira (1º de setembro), os seguranças da secretaria impediram a entrada dos funcionários da empresa para retirar os equipamentos.

A interrupção do serviço impacta diretamente 2,7 mil comunidades no Estado. Segundo a coordenadora de conteúdo da empresa, Lúcia Ramalho, “a utilização da tecnologia para a educação foi um divisor de águas no Estado e se tornou referência internacional, recebendo o reconhecimento em forma de prêmios”.

Com a suspensão do contrato, os projetos de educação a distância no Amazonas estão suspensos por tempo indeterminado. A Secretaria de Educação não se manifestou sobre o assunto.

O coordenador técnico Ribamar Xavier lamentou o ocorrido. “Nós somos 50 profissionais e desde 2007 fazemos transmissão de aula para o interior do Amazonas para o Ensino Fundamental, Médio e Educação de Jovens e Adultos (EJA). A transmissão é feita para 61 municípios mais a zona rural de Manaus”, disse.

Segundo o coordenador, há equipes de roteirização, de arte, produção e de transmissão das aulas. O contrato com a empresa terceirizada acabou no dia 31 de agosto de 2014. “No dia 1º, hoje, segunda-feira, ficou acertado com a direção do Centro de Mídias que nós retiraríamos nossos equipamentos. Coisa que não aconteceu. Ao chegarmos aqui, fomos impedidos de entrar no prédio. Temos nossas coisas pessoais aí e hoje seria a retirada dos equipamentos e nós deixamos de retirar essas coisas para tirar hoje”, disse o coordenador.

A segurança da Seduc alegou que a ordem veio do professor José Augusto, secretário de Gestão, e que apenas cumpriu ordens. “A motivação para isso possivelmente seria política. São 47 mil alunos prejudicados. Eu fui o primeiro diretor de imagem desse centro de mídias. Em maio de 2007, nós começamos a transmitir as aulas”, afirmou Ribamar.

O coordenador técnico se disse desolado com o que está sendo feito com o projeto. “É muito triste ver que um trabalho que nós nos orgulhávamos por estar contribuindo de alguma forma para a educação no interior está acabando. Ver em pleno processo político eletivo, uma decisão como essa sendo tomada, prejudicando tantas crianças, jovens e adultos do interior”.

Xavier afirma que o prejuízo para educação será grande pela dificuldade de se formar profissionais para esse tipo de transmissão. “A partir de hoje, dia 1º de setembro de 2014, não vai mais ter aula para o interior, pelo menos com a qualidade que nós costumávamos fazer. Trabalho aqui há muitos anos. Sei da dificuldade de se construir um time, uma equipe moldada para esse tipo de transmissão, de modalidade de ensino. Em pouco tempo não se consegue fazer uma equipe para elaborar uma aula de qualidade”, disse.

A empresa terceirizada está há dois meses sem receber. “No entanto, nenhum funcionário da empresa ficou sem receber até hoje. Ela honra com seus colaboradores. Mas a Seduc não está honrando o contrato com a empresa”, declarou Xavier.