Conselho de Mulheres de Iranduba é ‘despejado’ por secretária de Wilson Lima

O conselho funcionava de forma provisória no espaço cedido no Pronto Atendimento ao Cidadão (PAC) de Iranduba

Foto: Reprodução / Redes Sociais

Na manhã desta quarta-feira (29), o deputado estadual Sinésio Campos (PT) cedeu seu tempo de fala na tribuna da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) para a ativista Francinete Maia, que é presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher de Iranduba (CMDMI). Ela denunciou que o conselho foi despejado da sede provisória, que funcionava no Pronto Atendimento ao Cidadão (PAC) do município da Região Metropolitana, através de um memorando assinado pela titular da Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (SEJUSC), Mirtes Salles.

O conselho funcionava de forma provisória no espaço cedido pela ex-titular da SEJUSC, Carol Braz. Francinete relatou que, por conta do despejo, ocorrido no dia 25 de agosto, está tendo que realizar os atendimentos às famílias de Iranduba em locais improvisados ou até na rua.

“Ontem, eu tive que sair na chuva pra atender uma pessoa em frente à escola CETI porque desde o dia 25 de agosto não temos um local para realizar os atendimentos. Quando a Câmara dos Vereadores está fechada, nós temos que atender nos bancos das praças ou em frente à delegacia. Já imaginou atender mulheres dilaceradas e mulheres mutiladas por seus agressores dessa forma?”, questionou.

O Radar Amazônico conversou por ligação com a ativista. Ela relatou que o despejo se deu através de um memorando (disponível no final da matéria) assinado pela atual titular da SEJUSC, Mirtes Salles.

Quem despejou o conselho foi a Mirtes, através de um memorando. […] quando ela era vereadora até ajudava bastante a gente com cartilhas, mas depois que se tornou secretária mudou muito“, desabafou.

Francinete também explicou que, por se tratar de um conselho municipal, vem tentando desde o início da gestão do atual prefeito da cidade, Augusto Ferraz (DEM), viabilizar uma sede decente para o atendimento do conselho, que ampara mulheres em situação de vulnerabilidade social. (Documento disponível no final da matéria)

A Secretaria da Assistência Social de Iranduba está fechando as portas para as mulheres e, infelizmente, uma mulher, machista e homofóbica, ocupa um cargo desse sem, sequer, entender a dimensão do problema que ela tá causando para tantas famílias.”, desabafou.

Repercussão 

A fala da ativista comoveu alguns deputados da Aleam. O deputado e economista Serafim Corrêa (PSB) se solidarizou com o conselho e lamentou que a Prefeitura de Iranduba esteja se omitindo com relação ao caso.

“Iranduba era para ser uma cidade muito próspera, principalmente, por conta da ponte [Rio Negro]. Era para ter uma outra relação, de respeito de fraternidade com seu povo. Eu tentarei, na medida do possível, ter uma conversa com o nosso ilustre ex-colega Augusto Ferraz. No meu entender, está havendo um profundo mal entendido. Ele não era essa pessoa. Eu não sei o que aconteceu, porque a partir do momento que ele assumiu a prefeitura, ao invés dele aprofundar os seus laços e ampliar os seus ambientes, ele está radicalizando, partindo para cima, e isso não leva a lugar nenhum a não ser a uma situação de constrangimento como a que estamos vivemos hoje aqui”, declarou Serafim.

O deputado Sinésio Campos (PT) disse que está decepcionado com a gestão de Augusto Ferraz, a quem apoiou durante a campanha eleitoral.

“Eu tirei grande parte do meu tempo fazendo campanha para esse prefeito, que era meu colega de parlamento. Eu apostei nele, como muitos também apostaram que ele seria governo diferente, mas infelizmente não está sendo. Eu jamais seria omisso nesse momento onde atinge a mulher, a criança e a cidadã irandubense”, declarou.

Dermilson Chagas (Podemos) defendeu o diálogo para tentar resolver a situação e conseguir uma sede definitiva para o conselho.

Acredito que temos que procurar um entendimento através do diálogo. Dessa gestão, a gente só ouve reclamações, só ouve queixas. E são reclamações que me deixam até entristecido, que vem de pessoas que não fizeram mal, mas por simples divergência com a atual gestão. Quem é gestor tem que ser gestor de todos e tem que ter sensibilidade para conduzir a gestão. Eu lamento pelos fatos que vêm ocorrendo“, disse.

O Radar Amazônico entrou em contato com a SEJUSC e com a Prefeitura de Iranduba. Até a publicação desta matéria ninguém se manifestou.

– Ofício 3463/2021

Ofício 093/2021 – Prefeitura de Iranduba