Construtoras e Banco BTG processados na Lava Jato por corrupção bancaram em mais de R$ 2,1 milhões a campanha de Artur Bisneto

campanha artur bisneto

Não foi só a Odebrecht que doou, em 2014, para a campanha do filho do prefeito Artur Neto (PSDB), então candidato a deputado federal, o também tucano Artur Bisneto. Na lista de doadores de campanha de Bisneto estão todas as construtoras processadas por corrupção na Operação Lava Jato, acusadas de pagar propina para políticos em troca de benesses financeiras, através de negócios escusos como licitações fraudulentas. As construtoras Camargo Correa, OAS, Andrade Gutierrez e o Banco BTG, bancaram em mais de R$ 2,1 milhões a campanha de Bisneto. (Ver lista de doadores de campanha no final da matéria)

Essa matéria teve início com a leitura da delação premiada do senador Delcídio do Amaral que, em determinado ponto de seu depoimento, quando fala das construtoras processadas na Lava-Jato com relação às doações de campanha diz: “A Andrade Gutierrez é mais tucana, o que não a impede de apoiar outros partidos”. No Amazonas, a materialização dessa afirmação de Delcídio está na doação de R$ 500 mil da Andrade Gutierrez para a campanha do tucano Artur Bisneto para a Câmara Federal.

Mas, na lista oficial de quem bancou a campanha milionária do filho do prefeito Artur Neto, também está a empresa Construções e Comércio Camargo Corrêa S.A., a mesma que já teve de devolver R$ 700 milhões aos cofres públicos e que seu ex-presidente Dalton Avancini, preso na Lava Jato e condenado a 15 anos e 10 meses de prisão , reconheceu a prática de cartel, fraude em licitação, corrupção e lavagem de dinheiro. A Camargo Correa doou R$ 400 mil a Bisneto

Outra que está na lista de doações da campanha de Artur Bisneto é a construtora OAS que doou R$ 250 mil – dois repasses de dinheiro, um no valor de R$ 150 mil e outro de R$ 100 mil. A cúpula da empreiteira OAS foi condenada por participar do “clube” de empresas que, por meio de um cartel, fraudava as licitações da Petrobrás. Para ganhar os contratos, as empresas pagavam propina a diretores da Petrobrás e partidos políticos, com a intermediação de operadores.

Já o repasse de R$ 500 mil da Odebrecht para a campanha de Bisneto veio ao conhecimento público através de busca e apreensão feita pela Polícia Federal na residência de Benedicto Barbosa da Silva Junior, presidente da construtora, onde foi encontrada uma planilha com pagamentos feitos a agentes políticos. Quase que o nosso Radar passa batido ao verificar a lista de doares de campanha do deputado federal Artur Bisneto, já que o repasse de recursos foi feito através da Usina Conquista do Pontal S.A., sem nenhuma citação na lista de doações de campanha de que é uma empresa do grupo Odebrecht – por que será, hein gente?

Desta vez, sem nenhuma ligação com a Operação Lava Jato, mas confessamos nossa estranheza, com uma relação imensa de doações no mesmo valor, todas de pouco mais de R$ 22 mil, que num primeiro momento, diante das doações de milhares de reais para a campanha de Bisneto, nem são levadas em consideração. Porém, com a curiosidade própria do nosso Radar, quando a soma é feita, essa cifra atinge mais de R$ 800 mil de financiamento de campanha pagos pelo Supermercados DB.

Banco BTG

E o Banco BTG que já estava todo enrolado na Operação Lava Jato, ficou pior com a delação do senador Delcídio do Amaral que é fértil em detalhes sobre a atuação do Banco BTG, junto aos políticos, em defesa de interesses mútuos. Ele diz: “O Banco BTG teve papel preponderante em várias campanhas eleitorais”. Para que o filho do prefeito Artur Neto virasse deputado federal, a doação foi de quase R$ 500 mil.

E o delator Delcídio Amaral fala de toda uma rede de proteção que o banco BTG tem na Câmara Federal, rede de proteção chefiada, segundo ele, pelo próprio presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB), que através de emendas a projetos do Governo Dilma Rousseff beneficiaria o BTG “com mecanismos para que bancos falidos utilizassem os Fundos de Compensação de Variações Salarias (FCVS) para quitarem dívidas com a União”. Em um documento encontrado pela Lava Jato na casa do chefe de gabinete de Delcídio do Amaral está escrito que para conseguir aprovação na Câmara desse tipo de emenda, Cunha teria recebido propina no valor de R$ 45 milhões. Cunha, logicamente, nega tudo isso.

E o esquema de corrupção supostamente envolvendo o Banco BTG delatado por Delcídio do Amaral à Lava Jato não para por aí. Ele diz que o banco foi beneficiado em uma operação no mínimo polêmica, a Petro África, onde o BTG comprou 50% dos campos de petróleo, principalmente na Nigéria, por um preço “muito aquém do que própria Petrobrás já havia investido e o potencial dos poços (U$ 1,5 bilhões)”.

E vale lembrar que retiraram do processo de impeachment de Dilma Rousseff na Câmara Federal, a delação de Delcídio do Amaral – por que tirou? Tirou porquê? Será porque lá ele dedura Cunha de todo jeito, sem falar do próprio vice-presidente da República, Michel Temer? Ou será porque ele diz que “o Mensalão nasceu com o PSDB de Aécio Neves, governador” – o mesmo PSDB de Artur Neto prefeito e Artur Bisneto, deputado federal. (Any Margareth)

DOAÇÕES DE CAMPANHA DO DEP. FEDERAL ARTHUR BISNETO