Consumo chinês vai encarecer o churrasco do final de ano

O mercado de boi está em ebulição. Há uma “tempestade perfeita” interna e externamente favorável ao setor. O resultado são preços recordes do boi e das carnes e, seguramente, um custo maior do churrasco do final de ano.

O principal impulso do setor vem do mercado externo. Pelo 16° mês consecutivo, o país exporta um volume mensal de carne acima de 100 mil toneladas.

Em outubro, com base nos dados de exportação da terceira semana, relatados pela Secex (Secretaria de Comércio Exterior), as vendas externas deverão atingir 177 mil toneladas.

Boa parte dessa evolução dos preços da carne bovina pode ser creditada à China, vítima da peste suína africana, doença que já dizimou 40% do rebanho de porcos do país.

A forte dependência dos chineses da carne suína fez o país, para cobrir a demanda interna, buscar refúgio em outras proteínas.

E o Brasil é um dos poucos países que podem cobrir parte dessa demanda chinesa, fornecendo carnes bovina, suína e de frango. A corrida pela carne bovina se dá, porém, no pico da entressafra brasileira, quando a oferta é menor.

Além disso, a Austrália, outro grande participante do mercado mundial, teve redução de oferta devido a problemas climáticos. Já a carne bovina dos Estados Unidos, país envolvido em uma guerra comercial com a China, tem restrições no mercado do país asiático.

O problema é que esse cenário não estava ainda muito claro no primeiro semestre, e os pecuaristas brasileiros não apostaram muito no confinamento de gado, o que poderia, agora, elevar a oferta de boi gordo.

O resultado é a arroba de boi gordo ter atingido R$ 170,7 na quinta-feira (31) e o valor médio da carne bovina ter subido para R$ 11,6 por quilos no atacado de São Paulo. Ambos os valores são recordes nominais, segundo o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada).