Consumo de cerveja cresce no país mesmo com inflação e movimento ainda fraco nos bares


Após mais de dois anos de mesas vazias, o bar do Bigode, em Botafogo, Zona Sul do Rio, voltou a ter movimento no happy hour. Ainda assim, o faturamento não chega nem à metade do que era antes da pandemia.

“Voltou a ter movimento, graças a Deus. Mas, [os clientes] estão frequentando menos e bebem bem menos que antes também”, conta Irenildo Queiroz, conhecido como Bigode.

Bigode é um dos cinco empreendedores que o g1 acompanhou, ao longo de um ano, para saber como estava sendo a luta pela sobrevivência dos negócios em meio à crise provocada pela pandemia do coronavírus. Seis rodadas de reportagens compõem a série. Na primeira, em abril de 2020, Bigode disse que faria de tudo para não demitir seus funcionários. Já na última, em março de 2021, ele disse estar arrependido por tentar manter seu bar aberto.

Ainda que o movimento nos bares e restaurantes continue longe do padrão pré-Covid, o consumo de cerveja no país continua crescendo na pandemia — e deve registrar em 2022 um novo recorde de volume de vendas, mesmo com a inflação nas alturas, mostram números do setor.

Levantamento inédito da Euromonitor, antecipado para o g1, mostra que o volume de cerveja comercializado no Brasil cresceu 7,6% em 2021, superando o avanço de 5,3% registrado em 2020 e atingindo o recorde de 14,3 bilhões de litros. Até então, o melhor resultado tinha sido o de 2014, ano que o Brasil sediou a Copa do Mundo.

No ano passado, o crescimento foi puxado pelo volta do consumo fora e casa, que saltou 9,2% na comparação com o primeiro ano de pandemia, enquanto o consumo dentro de casa cresceu 5,4% após ter disparado 17,6% em 2020. A expectativa é que o volume total de vendas da bebida cresça novamente ao redor de 8% em 2022, alcançando 15,4 bilhões de litros e marcando o 4º ano consecutivo de alta.