Contadora da OS que gerencia Delphina Aziz revela mais uma série de irregularidades

Mais uma série de irregularidades financeiras no contrato da Secretaria de Estado de Saúde com a Organização Social (OS) Instituto Nacional de Desenvolvimento Social e Humano (INDSH) foi constatada nesta quinta-feira (27) durante o depoimento de Thayane Cristina dos S. de Souza, contadora da instituição, à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde.

Durante o interrogatório, a testemunha revelou a execução de ações indevidas e não soube responder perguntas básicas relacionadas a sua área de atuação, levantando ainda mais dúvidas sobre a veracidade das informações.

A principal dúvida dos membros da CPI diz respeito a prestação de contas da OS que ao longo dos últimos meses vem recebendo o valor total de R$16 milhões por mês por um serviço que não é totalmente  realizado tendo em vista que determinadas despesas acompanham o índice de ocupação dos leitos, que no caso do Delphina Aziz, não têm sido totalmente ocupados, sendo assim, não há necessidade de receber o valor completo.

Thayane afirmou que é responsável somente pela conferência de impostos através de notas ficais e não tem acesso a prestação de contas. Nesse sentido, foi interrogada sobre o valor mensal recebido e declarou que eles utilizam todo o valor disponibilizado mensalmente.

Em contrapartida, o deputado Wilker Barreto (Podemos) ressaltou que “é impossível isso acontecer porque em tese uma organização social lida com diferentes valores de acordo com a demanda”.

Tendo em vista a declaração do uso completo do montante milionário, informações sobre a folha de pagamento, insumos e despesas também foram solicitadas. A partir daí, o discurso da depoente foi mudando.

Segundo a depoente existem quatro diretorias na unidade hospitalar na qual os profissionais recebem R$15 mil a R$20 mil por mês. Além deles, a folha de pagamento da instituição orçada em R$5 milhões também paga profissionais das áreas administrativas e de assistência, deixando de fora os médicos que atuam no atendimento. O resto das despesas estariam relacionadas a outros serviços e eventuais emergências.

Diante do relato que deixa claro que todo o valor investido não retorna em serviços à população contribuinte, o presidente da comissão, deputado  delegado Péricles, apontou outra irregularidade, a questão do atingimento de metas que deveria ser apresentada regularmente pela OS.

Tendo em vista a série de relatos apresentados e a resistência em responder perguntas e disponibilizar documentos, a CPI declarou que a testemunha foi ‘orientada’ a dificultar o trabalho da comissão e que  já é notório que a OS está fazendo um trabalhando tão ineficiente quando o que a Susam prestava antes e faz mau uso do dinheiro da população amazonense.

“Estão sendo gastos mais de R$150 milhões e não há fiscalização. É muito grave o que vem acontecendo durante esses meses por uma organização tão indecente quanto a Susam. Vai faltar algema para essa OS”, declarou Wilker.