Coordenador regional da Seduc determina exclusão de grupos de Whatsapp para obrigar professores de Manacapuru a dar aulas presenciais

Manifestação de professores contra as aulas presenciais na Praça da Matriz em Manacapuru

Os professores da rede pública de ensino de Manacapuru (distante 98 km de Manaus) denunciaram ao Radar que, o coordenador regional de Educação do município, João Messias, determinou a exclusão de grupos de whatsapp – criado para ministrar aula e passar atividades- com a intenção de obrigar todos os professores a retornarem às aulas presenciais, mesmo com a explosão de novos casos de Covid-19 na cidade. A determinação consta em um documento assinado pelo coordenador nessa quarta-feira (10). (veja documento no final da matéria).

Em entrevista ao Radar, uma professora que preferiu não se identificar, explicou que uma parcela dos professores está em greve, mas que o ensino dos alunos estava garantido através das aulas virtuais, mas como forma de represália o coordenador impôs essa determinação.

“O senhor João Messias vem informar a comunidade escolar e ao público em geral que nas escolas da rede estadual de ensino, a modalidade de ensino denominada remota fora substituída pela modalidade híbrida presencial. Sendo assim, os grupos de comunicação de Whatsapp devem ser desativados”, diz trecho do documento.

Para os professores isso foi uma espécie de ‘chantagem’ para forçá-los a voltarem às aulas. Com medo de uma possível demissão, professores continuam se expondo ao risco da contaminação por Covid-19 nas salas de aula.

Risco de terceira onda

Devido ao aumento de internações por Covid-19, os pacientes começaram a ser transferidos para Manaus e mesmo diante do risco de uma terceira onda as aulas ainda não foram suspensas.

Uma fonte do Radar revelou que ontem (10/06) aconteceu o velório de um professor no município vítima de complicações de sequelas da Covid-19, no entanto, a Secretaria Estadual de Educação (Seduc) publicou uma nota de pesar, mas encobriu a causa da morte.

“A Seduc divulgou uma nota, mas não disse a causa da morte, então eles estão acortinando os dados, todo mundo sabe que foi de consequências da Covid. Já  temos inclusive informações de contaminações por Covid na escola Castelo Branco.” disse o denunciante.

Desde o início da pandemia, 350 mortes já foram registradas no município, e de acordo com os professores, desse total 21 eram profissionais da educação.

Manifestação

Cansados de terem seus direitos ignorados, os professores realizaram uma manifestação na manhã desta quinta-feira (10), em frente a Praça da Matriz de Manacapuru, para pedir a suspensão das aulas presenciais.

Com cartazes  pedindo a volta das aulas remotas, os professores fizeram um ato público em frente ao memorial às vítimas da Covid-19, com o objetivo de sensibilizar as autoridades que é necessário uma medida urgente para evitar que mais vidas virem memórias.

Manifestação dos professores em Manacapuru

O Radar entrou em contato com a Seduc para pedir explicações sobre a determinação da desativação de grupos de Whatsapp, mas até a publicação desta matéria não obteve resposta.

Confira o documento na íntegra