Coronel PM lança na TV teoria de “ataques terroristas” no Amazonas, mas não diz quem é o “Bin Laden”

O coronel PM Ubirajara Rosses, irmão do deputado estadual Delegado Péricles (PSL), ambos correligionários do presidente Messias Bolsonaro, decidiu lançar, durante entrevista na TV Amazonas sobre segurança pública, a teoria de que os ataques supostamente cometidos por facção criminosa ligada ao narcotráfico, conforme afirma o secretário de Segurança Pública, coronel PM Louismar Bonates, na verdade são “ataques terroristas”.

Mas, todo grupo terrorista tem um líder, todos os que utilizam o terror como estratégia têm uma causa, seja religiosa, política, social, ou até todas juntas. Todo ato terrorista tem um mandante. Bem ao estilo bolsonarista, o coronel Ubirajara Rosses não explica bem essa história – ou será que é estória? – e nem os seus protagonistas. O coronel não conta o enredo dessa sua “Al-Qaeda” Baré e quem é o “Bin Laden” por trás dos tais “ataques terroristas”.

Em que parte da “teoria da conspiração terrorista” do coronel PM entra os meninos da periferia que foram cooptados pelo narcotráfico? E os xerifes da cadeia que, desde os tempos do governador José Melo já diziam: “Quem manda na cadeia e no Estado é (sic) nós mano!”. E onde fica o terror implantado por policiais que também fazem parte do mundo do crime? A teoria do coronel passa ao largo dessas situações reais.

Bom lembrar que coronel Ubirajara Rosses é aquele mesmo que convocava e organizava pelas redes sociais manifestações “Fora Wilson” em pleno pico da pandemia do novo coronavírus, em abril do ano passado. O coronel, identificado pela emissora de televisão como “especialista em segurança pública” não parecia estar nem um pouco preocupado com a segurança pública, no momento em que descumpria as normas sanitárias de combate à Covid-19 e provocava aglomerações.

O resultado é que, lá em abril quando o coronel PM bolsonarista fazia manifestações públicas contra o Wilson Lima e contra as medidas de isolamento social pregando que não passava de uma “gripezinha”, o Amazonas tinha algo em torno de 425 mortos e, nos dias atuais atingimos a triste marca de treze mil mortos por Covid-19.

E não foi ataques terroristas que mataram milhares de amazonenses, mas exatamente ataques à segurança pública, falta de compromisso com a coletividade, ausência de empatia e falta de humanidade.