Abandonada em travessia, brasileira morre de sede e fome em deserto dos EUA

A identificação foi possível porque ela estava com seu passaporte brasileiro

A brasileira Lenilda dos Santos, de 49 anos, morreu ao tentar atravessar a fronteira entre México e Estados Unidos. Imagem: Reprodução/GoFundMe

O corpo de uma brasileira de 49 anos foi encontrado na quinta-feira (17) durante uma patrulha de agentes norte-americanos em uma área desértica no Novo México, nos Estados Unidos.

“Esta é uma das situações mais tristes que já vi”, disse o xerife do condado de Luna, Michael Brown. O corpo de Lenilda dos Santos foi encontrado perto do cruzamento das rodovias Castaneda e Hondale, próximo ao Aerostat, disse o policial.

A identificação foi possível porque ela estava com seu passaporte brasileiro. As informações foram divulgadas pela polícia ao site de notícias “Deming Headlight”. Parentes da brasileira que vivem em Massachusetts foram procurados pela polícia. Eles disseram que o último contato com ela foi na sexta-feira, quando ela ligou dizendo que havia se separado do grupo que tentava entrar nos Estados Unidos, estava sem água e temia estar morrendo.

Lenilda teria compartilhado sua localização com eles, e a polícia iniciou as buscas tentando rastrear a localização da brasileira por meio do celular. “Mas, no deserto as informações fornecem uma ampla área para pesquisa”, disse Brown.

Uma das pessoas contatadas pela família de Lenilda foi o brasileiro Kleber Vilanova, morador de Ohio, cuja empresa atua na área de imigração e atende brasileiros e latinos. Ele criou uma campanha no GoFundMe para realizar o traslado do corpo da brasileira.

Foram mais de cinco dias sem notícias até que familiares acionaram Kleber, que acompanhou as buscas de perto. Segundo ele, Lenilda viajava com conhecidos e queria chegar em Ohio. Ela era de Vale do Paraíso (RO) e deixou duas filhas no Brasil.

“Na terça-feira dia 7 de Setembro, Lenilda e seus companheiros de viagem atravessaram a fronteira ilegalmente em direção a cidade de Deming Novo México. Após algumas horas de caminhada debaixo daquele sol escaldante, Lenilda começou a passar muito mal e estava muito desidratada. Com medo de serem detidos pela patrulha da Fronteira seus companheiros de viagem a deixaram só naquela situação”, conta ele.

Foram horas de busca até que o corpo de Lenilda fosse encontrado. A residência mais próxima estava a 400 metros. A brasileira usava uma roupa camuflada, o que segundo o policial é comum entre os imigrantes ilegais.
“Isso é algo que vemos continuamente, disse Brown, lamentando a atuação dos coiotes (traficantes de pessoas) na região, por buscarem “maneiras de ganhar dinheiro às custas de vidas humanas”.