“Covardemente executado”, diz militar sobre filho morto em ação da PM

Comerciante de 33 anos arrastado para dentro de quintal e morto em ação policial era filho de ex-militar, que denuncia caso como execução

O cabo reformado da Polícia Militar de Goiás (PMGO) Moacir Divino Camargo da Silva, de 58 anos, denuncia que o filho foi executado por integrantes da própria corporação em que trabalhou durante boa parte da vida.

“No Brasil não tem pena de morte, então meu filho foi assassinado. O meliante tem que ser mobilizado e entregue à Justiça que vai decidir o que acontece. Ele foi covardemente executado”, defendeu o cabo Moacir em entrevista ao Metrópoles.

Um vídeo feito por um morador mostrou o momento em que Wilker tenta fugir de dentro de uma residência, mas é arrastado por três policiais de volta para dentro do quintal. Em seguida é possível ouvir um disparo de arma de fogo.

Pouco antes de ser morto, Wilker teria fugido de policiais em um Gol prata que ganhou do pai. Ele acabou batendo o carro e tentou fugir a pé, mas foi morto em uma residência que fica ao lado de sua casa.

“Pobre coitado”

Moacir chegou ao local da morte do filho cerca de 30 minutos após os tiros. Os policiais teriam dito para ele que o filho tinha 500 gramas de cocaína e um revólver calibre 22.

No entanto, o pai nega e acredita que os itens foram “plantados” na cena da ação. O cabo reformado diz que o filho tinha poucas condições financeiras e não era um traficante.

“Dez dias atrás eu tinha arrumado R$ 150 para ele comer. Ele nunca mexeu com arma. Era um coitado, pobrezinho. Traficante tem dinheiro, sou policial e sei disso. Eles queriam matar”, defendeu Moacir, que vai denunciar o caso ao Ministério Público.

Moacir contou que o filho já foi preso porque teria dado carona para um assaltante em Santa Bárbara de Goiás. No entanto, ele foi condenado e cumpriu sua pena. O pai ajudou Wilker a montar um bar em Trindade.

Luto

Depois de ser baleado na sexta, Wilker chegou a ser levado para o Hospital de Urgências de Trindade (Hutrin), mas não resistiu. Ele foi enterrado ao lado do túmulo da avó no sábado (11/12) no município de Caturaí (GO).

“Não é fácil. Só Deus mesmo para confortar. Parece que arrancou um pedaço nosso. Meu filho só andava sorrindo para todo mundo. Toda hora estava alegre. Eu falei com a equipe que executou: ‘Vocês mataram um pobre coitado e vão pagar por isso’. Vou ver eles no tribunal, tenho certeza disso”, afirmou Moacir.

A Polícia Militar determinou o afastamento de todos os policiais envolvidos na ocorrência e foi aberto um Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar os fatos. A corporação disse que o caso será investigado com o devido rigor e que todas as providências estão sendo tomadas.

Secretaria de Segurança Pública e Polícia Civil não responderam aos questionamentos do Metrópoles sobre o caso.