CPI da Câmara Federal denuncia Adail Pinheiro à PF, MPF, e a ministra de Direitos Humanos por ameaça e retaliação

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A presidente da CPI da Câmara Federal, deputada federal Érika Kokay (PT) em entrevista ao Radar pelo telefone, na tarde desta terça-feira (16), informou que a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara Federal que investiga a exploração sexual de crianças e adolescentes em todo o País está denunciando e solicitando proteção à Polícia Federal, Ministério Público Federal, assim como à ministra de Direitos Humanos, Maria do Rosário, em reunião realizada agora a tarde, sobre as ameaças que vêem sofrendo as testemunhas e as menores que prestaram depoimento à comissão nos dois dias em que a CPI esteve no município de Coari.  A parlamentar confirmou já ter conhecimento de denúncia que também chegou ao conhecimento do Radar, hoje de manhã, de que uma moradora da cidade que participou da manifestação contra a pedofilia, teria sofrido retaliação por parte do prefeito Adail Pinheiro, sendo impedida de trabalhar na feira da cidade, já que perdeu seu boxe por ordem do prefeito.

“O prefeito vai ter que aprender que ele não é, e nem pode fazer como Luiz XIV, que dizia eu sou a Lei, eu sou o Estado”, criticou a parlamentar. Ela comentou ainda saber que o prefeito Adail Pinheiro teria dito em entrevista que pretende processá-la por gastar recursos federais para participar de um “circo” montado pela comissão a serviço de um grupo político que perdeu as últimas eleições.  “O prefeito pode fazer o que ele quiser, mas tenha a certeza que não vamos nos intimidar. Essa prática é histórica, a do algoz que quer se passar por vítima. Pelo menos isso é o que o prefeito deixa passar com atitudes como esta. Eu recomendaria  outro tipo de postura ao prefeito Adail Pinheiro, uma postura mais condizente com o Estado democrático de Direito. Que ele comparecesse à comissão e prestasse esclarecimentos, afinal esse tipo de comportamento é mais condizente com quem se diz inocente, não é mesmo”, questiona Érika Kokay, acrescentando: “Mas, a cada dia o prefeito se torna mais hostil. Já temos evidências suficientes sobre o uso de recursos públicos para tentar impedir o trabalho da comissão e até nos hostilizar durante nossas diligências em Coari”.

A parlamentar lembrou que a CPI não esteve só em Coari, mas também  em Fortaleza, em Natal, Pernambuco, Rio de janeiro, João Pessoa, e em muitas outras cidades. Nosso trabalho é previsto por Lei, é institucional , e o Sr. Prefeito deveria saber que existe, inclusive, lei que criminaliza o ato de todo aquele que tenta impedir o trabalho parlamentar. Eu não sei qual o partido do prefeito, quem são seus adversários, quais os partidos deles, isso não é uma disputa eleitoral. O que nos cabe, e é nosso dever, é investigar o abuso de crianças e adolescentes. Tão somente isso”. Comentou a deputada.,