CPI da Saúde: empresária seria apenas “laranja” de empresa que faturou R$ 25 milhões dos cofres públicos

blank

Num depoimento que poderia ser chamado de “relâmpago”, já que durou apenas cerca de trinta minutos, a proprietária da Empresa Norte Serviços, Criselídia Bezerra de Moraes, contratada pela Secretaria de Estado da Saúde (Susam) para lavagem de roupa do Hospital de Campanha Estadual Nilton Lins, não soube sequer dizer aos deputados que compõem a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde, da Assembleia Legislativa do Estado (Aleam), qual foi a data em que comprou a empresa pela qual pagou R$ 5 milhões. Isso ocorreu na reunião da CPI da Saúde, nesta quarta-feira (22), e, por questões de problemas de saúde aceitos pela CPI, o depoimento pôde ser feito virtualmente e a empresária estava acompanhada por uma enfermeira.

“Estamos perguntando informações básicas sobre a sua empresa e a senhora não está conseguindo responder”, interpelou o presidente da CPI da Saúde, deputado delegado Péricles, após a senhora Criselídia seguidamente se negar a responder aos questionamentos da comissão. A senhora repetiu inúmeras vezes frases como: “não cometi crime algum”, “estou me sentindo uma condenada”.

Visivelmente insatisfeito com as seguidas recusas da depoente, o deputado presidente da comissão, delegados Péricles disparou a seguinte conclusão: “Se a senhora é laranja (pessoas que fornecem seus dados pessoais para a abertura de empresas em práticas ilícitas) é o que ainda vamos apurar. Mas a senhora, como proprietária da empresa, tem que responder pelos atos de uma empresa que faturou quase R$ 25 milhões em três anos”, rebateu Péricles as negativas de respostas e às reclamações de perseguição feitas pela empresária.

“Não me falaram que eu tinha que eu tinha que esclarecer a data de nada, eu vim pra cá pra falar sobre a lavagem de roupa, que minha empresa efetuou o serviço e eu vim falar sobre isso”, queixou-se, mais uma vez, a empresária.

Ao ser questionada novamente pelo presidente da Comissão, deputado Delgado Péricles, sobre ter comprado a empresa do Sr. Vitor Vinicius dos Santos, a empresária Criselídia, disse novamente que não sabia que tinha que explicar “um monte de coisas” e alegou que não estava preparada com documentação nenhuma. Neste momento, ela usou o direito de permanecer em silêncio.

A empresária foi questionada também sobre como teria conseguido o valor para comprar a empresa, mas continuou fazendo o uso do direito de permanecer em silêncio. Após estes questionamentos, foi necessário uma pausa na CPI  para aferir a pressão arterial da empresária que começou a se sentir mal. O depoimento foi encerrado após os parlamentares que integram a CPI considerarem que já tinham entendido tudo que estava acontecendo.

“Esse depoimento fecha esse assunto não só pra mim, como acredito que para todos os membros. Já deu pra chegar a uma conclusão”, disse o deputado Wilker Barreto.

“Eu também considero uma página virada. Ela é vítima de alguém. Estão usando a Sra. Criselídia para ganhar milhões do Estado”, concluiu Serafim Corrêa.

Os membros da CPI da Saúde decidiram formalizar denúncia contra a empresa Norte Serviços.