“CPI do WhatsApp” criada na Câmara de Coari pelo grupo de Iran Medeiros perde os prazos regimentais, não faz relatório e vai parar no arquivo “morto” por ordem do “Bat”

vereador bat

O presidente da Câmara Municipal de Coari, vereador Iliseu Monteiro, conhecido pelo apelido político de “Bat” mandou arquivar a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instalada por um grupo de vereadores da Casa, liderados pelo então presidente, vereador Iran Medeiros – perdeu o cargo por decisão do Tribunal de Justiça do Estado (TJAM) – com o visível intuito de cassar o mandato do prefeito de Coari, Raimundo Magalhães. A decisão do presidente da Casa se respaldou no fato de que os vereadores-membros da dita CPI perderam todos os prazos determinados pelo Regimento Interno da Casa, não avançaram na realização das tais investigações e nem apresentaram o relatório conclusivo dos trabalhos – e olha que em Coari o mais comum é as CPIs terem dois relatórios, um contra e outro favor, né mesmo?

A Resolução Legislativa com a decisão do presidente da Câmara de Coari está publicada no Diário Oficial dos Municípios (edição 1373), desta quarta-feira (17) – ver documento no final a matéria. Na resolução, “Bat” destaca que o parágrafo 5º do artigo 64, do Regimento Interno da Casa concede 20 dias prorrogáveis por mais 15 para conclusão dos trabalhos de uma CPI, e que todos os dois prazos já expiraram sem que a comissão tenha concluído nada, nem apresentado relatório – a prorrogação de 15 dias expirou no dia 11 de junho.

A CPI foi instalada sob a justificativa de apurar a veracidade de uma suposta conversa, através de mensagens no WhatsApp, entre Raimundo Magalhães e o empresário do ramo de combustíveis Thiago Carili, onde teria ocorrido uma negociata com a troca de secretarias e favores, por dinheiro. A suposta conversa foi publicada, em tom de denúncia, num site de notícias de Manaus e usada por Iran Medeiros e seu grupo político, composto por sete vereadores – quantos serão agora que ele deixou a presidência hein gente? -, pra atacar Raimundo Magalhães após ele ter assumido a Prefeitura de Coari. A posse de Magalhães fez com que Iran Medeiros perdesse o cargo de prefeito.

A denúncia foi desqualificada pela própria imprensa local ao notar que a foto do dinheiro que seria repassado pelo empresário Thiago Carili para Magalhães, e que estava em uma das mensagens da tal conversa pelo WhatsApp, não passava de uma reprodução de imagem de uma matéria sobre apreensão de dinheiro e drogas pela polícia, datada de 2012.

Mas, mesmo com veículos de comunicação indicando que havia algo muito estranho nessa história, Iran Medeiros e os vereadores aliados ainda instalaram uma CPI com pedido de cassação do prefeito e levaram o tal empresário para prestar depoimento. Queriam que Magalhães fosse também, mas ele mandou dizer que tinha mais o que fazer, além do que existe todo um trâmite legal para convocação de um prefeito para prestar esclarecimentos numa Casa Legislativa, trâmite esse que não foi respeitado.

A convocação do empresário foi igualzinho aquilo que o povo chama de “tiro que saiu pela culatra”. Ele não levou o celular, disse que o celular foi roubado, que a denúncia não foi feita por ele – será que quem fez foi o ladrão do celular, gente? – e pra acabar ainda levou as tais mensagens do WhatsApp gravadas num pen drive – que ladrão bonzinho esse, né gente, que leva o aparelho mas deixa a vítima primeiro tirar o arquivo de suas conversas no WhatsApp. O depoimento do empresário, cheio de contradições, colocou uma “pá de cal” nas intenções de Iran Medeiros de cassar o prefeito, e outra “pá de cal” foi posta pelo Secretário de Segurança do Estado, Sérgio Fontes, a quem o prefeito entregou seus celulares e pediu quebra de seu sigilo telefônico. O secretário disse em entrevista não ter encontrado nada na memória dos celulares do prefeito que confirme conversa entre Magalhães e o empresário.

E como viram que a armação não deu certo, os vereadores do grupo do Adail nem quiseram mais saber desse negócio de CPI e restou ao presidente mandar pro arquivo morto – enterrado! (Any Margareth)

Clique aqui para ver o Diário Oficial com arquivamento da CPI