CPI enviará depoimentos sobre compra de “respiradores” à PF e passa a apurar outros contratos da pandemia

Após a deflagração da Operação Sangria pela Polícia Federal em conjunto com o Ministério Público Federal (MPF), no âmbito de investigações no Superior Tribunal de Justiça (STJ), o presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde no Legislativo estadual, deputado delegado Péricles, informou que a CPI enviará os depoimentos sobre a compra dos 28 “respiradores” por R$ 2,9 milhões da loja de vinhos FJAP e Cia Ltda pelo Governo à Polícia Federal para contribuir com as investigações.

A partir de agora, os membros da Comissão se debruçaram em outros contratos firmados pelo Governo, especialmente os feitos pela Secretaria de Estado de Saúde (Susam), durante a pandemia do novo coronavírus. “Precisamos lembrar que descobrimos uma parte do problema, que é a fraude, mas ainda é necessário identificar o mandante de tudo”, ressaltou o deputado estadual Serafim Correâ (PSB), membro da Comissão.

A informação foi repassada durante coletiva de imprensa realizada na tarde desta terça-feira, na Assembleia Legislativa do Estado (Aleam). Entre os novos contratos que devem ser analisados pela CPI estão as contratações temporárias, o projeto “Anjos da Saúde” e o aluguel do Hospital Nilton Lins para abrigar o hospital de campanha do Estado sem projeto básico e cujo contrato segue às escuras.

“Isso não é uma caça às bruxas, estamos fazendo isso pelo povo”, disse o presidente da Comissão, deputado delegado Péricles ao ressaltar que o foco da CPI “é investigar casos, irregularidades e não pessoas”.

Novos depoimentos

De acordo com ele, a partir desta quarta-feira (1º), novos depoimentos devem ser colhidos. Entre os ouvidos estão diretores de unidades hospitalares como o Hospital Getúlio Vargas e o Beneficente Portuguesa – que foram recusados pelo Governo para abrigar o hospital de campanha do Estado, no início da pandemia. Além deles, também deve ser ouvido o procurador da empresa Norte Serviços, encarregada do serviço de lavanderia no hospital de campanha Nilton Lins.

O depoimento mais esperado ficou para a próxima sexta-feira (3) quando os membros da CPI devem ouvir a jornalista Carla Pollake, apontada como articuladora das ações da Susam e do Governo, além de coordenadora do projeto “Anjos da Saúde” – que custou R$ 6 milhões aos cofres públicos –  sem ter, oficialmente, cargo ou função no Governo do Estado.