CPI se espanta com “festival de processos indenizatórios” para serviços na Susam

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Em mais um depoimento da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da saúde, na manhã desta segunda-feira (03), foi constatado pelos integrantes, outro processo indenizatório; desta vez na contratação da Norte Serviços Médicos para realização de exames ginecológicos como colposcopia e conização, em municípios do interior do Amazonas.

A ex-gerente de compras da Secretaria Estadual de Saúde (Susam), Narelda da Silva Barros, disse aos deputados que assumiu o cargo de forma interina por um mês, em 2017. No setor, Narelda trabalhou por dez anos  e passou por diversos governos como de José Melo, David Almeida e Amazonino Mendes.  Durante o depoimento, ela reiterou diversas vezes de que este processo, na época, não passou pela gerência de compras.

“Esse processo nunca chegou para a gente, como foi indenizatório ele já segue direto para o financeiro que efetua o pagamento. Nós chegamos a fazer a cotação para estes mesmos exames, mas para outro processo. Importante lembrar que o setor não deflagra nada, apenas faz cotação de produtos”, explicou Narelda, negando ter tido nenhum contato com representante da Norte Serviços.

De acordo com o presidente da CPI, deputado Delegado Péricles (PSL), o que mais causou espanto nessa situação foi o valor cotado para realização do procedimento R$ 8.6 mil  por paciente, quando é possível encontrar por até R$ 1,3 mil. Ou seja, uma cobrança superfaturada.

“É um festival de processos indenizatórios com valores superfaturados e ainda sem ter uma comprovação de que todos os exames foram realmente feitos. Causa estranheza esse depoimento, pois foi gerado um processo que nunca chegou e em tese deveria, sim, passar pelo setor de compras da secretaria”, pontou Péricles.

Já o deputado Wilker Barreto (Podemos) disse que se for analisar todos os contratos da Norte Serviços, vai se encontrar mais problemas do que solução. Ele reiterou o pedido de prorrogação dos trabalhos da CPI para seguir investigando a saúde do Amazonas.

“Precisamos seguir apurando e denunciar todos os envolvidos. Pagamos um valor exorbitante e de uma forma indecente. Além disso, não podemos ter a certeza de que todos os exames foram realmente realizados “, concluiu Barreto.

A CPI da saúde segue com os trabalhos durante toda a semana.