CPI volta a Brasília com a decisão de usar força policial para obrigar Adail a depor

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Os depoimentos prestados à CPI da Câmara Federal que investiga denúncias de   Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes,  durante as diligências realizadas no município de Coari teriam confirmado que o prefeito de Coari, Adail Pinheiro, continuou praticando atos de abuso sexual infanto-juvenil, mesmo após ser indiciado pela Polícia Federal e denunciado pelo Ministério Público do Estado, em 2008, por chefiar uma rede de prostituição de crianças e adolescentes. Essa foi a conclusão a que chegou a presidente da comissão, deputada Érika Kokay (PT-DF) após as diligências, o que a faz tomar a decisão de intimar o prefeito, em caráter coercitivo (condução por força policial), para depor sobre as acusações.

O deputado Luiz Castro, responsável pela vinda da CPI a Coari veio ao Estado a decisão da comissão de convocar Adail, por força policial. Segundo os deputados, os depoimentos foram estarrecedores e confirmaram que o prefeito continuou explorando sexualmente meninas de 11 a 15 anos de idade, mesmo após as denúncias geradas pela Operação Vorax.

Pela forma contundente dos depoimentos, colhidos ontem em Coari, e pela comprovação dos crimes investigados pela Polícia Federal, o deputado afirma que não há dúvidas da condenação do prefeito, mas ressalta que a Justiça precisa agir. “Os magistrados com sua formação jurídica e moral precisam frear os instintos criminosos de Adail Pinheiro”, intercedeu Castro. Ele também disse apelar para o presidente da OAB/AM, Alberto Simonetti Cabral Neto, que está atuando como advogado de Adail, e para o presidente nacional da OAB, Marcus Vinicius Furtado que também representa Adail, para que façam uma “reflexão ética”. Castro apontou a OAB como “única instituição não pública que tem status constitucional”, e lembrou a história de luta da OAB em defesa dos direitos humanos e da cidadania, o que não se coaduna com defender um prefeito acusado de tantos crimes. “Tenho o maior respeito por Simonetti por isso apelo pra que ele veja o quanto um cliente não só acusado de corrupção, mas de exploração de menores, pode colocar a instituição OAB em descrédito.

A expectativa do deputado,  é que a Justiça também não seja omissa e agilize o julgamento dos processos contra Adail Pinheiro, que pelos casos de corrupção e abuso de poder econômico, segundo Castro, sequer poderia ter se candidato a prefeito, por contrariar as normas da Lei da Ficha Limpa.

O parlamentar lembrou ainda do protesto do amazonense, de Coari, Joel de Souza Rocha, acorrentado em frente ao Superior Tribunal Eleitoral (STE), em Brasília, exigindo do ministro Dias Toffoli,  rapidez no julgamento do processo contra Adail Pinheiro, com base na Lei da Ficha Limpa.  “O ministro não julga, não se sabe por que. Isso é vergonhoso”, criticou Castro.

Mais um processo – A presidente da CPI, Erika Kokay, também vai processar o prefeito Adail Pinheiro, com base na Lei 1579/52, por causa da tentativa de impedir a realização da audiência em Coari, utilizando os servidores municipais dispensados do trabalho para hostilizar os membros da comissão.