Dantas se contradiz e nega que tenha pago propina para políticos do AM

Após duas horas de conversa à portas fechadas com deputados estaduais na sala da presidência da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), o empresário Francisco Luiz Dantas Silva, dono da empresa Dantas Transporte, desmentiu a informação que deu ao Ministério Público de Contas (MPC-AM), de que havia pagamento de propina para agentes políticos para conseguir contratos de transporte escolar junto à Secretaria de Estado de Educação (Seduc). Protegido por seguranças o empresário Francisco Dantas saiu sem dar entrevistas.

De acordo com a presidente da Comissão de Educação, deputada estadual Therezinha Ruiz (PSDB), toda a gravação da reunião será enviada ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-AM) para confronto das versões. “Ele negou tudo o que disse. Não tinha mensalinho. Ele disse ainda que foram realizados pagamentos de serviços sem ele saber”, comentou a deputada.

No último dia 22 de agosto o empresário relatou ao MPC-AM um esquema de propina de pagamentos de “mensalinhos” de até R$ 20 mil reais para conseguir fechar contratos junto ao Governo do Amazonas. Na denúncia apresentada, além da cobrança de “mensalinho”, existia a imposição de serviços alheios ao contrato como transporte de universitários, algo que alcançava R$ 60 mil e a imposição de contratar, sem que haja contraprestação de serviços, pessoas que constam na folha de pagamento da empresa.

O empresário disse ainda ao MPC-AM, sobre a apropriação por prefeitos e outros agentes políticos da distribuição das rotas, com indicação dos veículos condutores, também, de ser obrigado a pagar agentes públicos nos valores de até R$ 17 mil.

Segundo o deputado estadual Wilker Barreto (Podemos), será feita uma solicitação à Seduc da folha de pagamento referente aos seis meses de contrato entre a secretaria e a empresa Dantas Transportes. “Ele veio até aqui sem documento nenhum para comprovar algo. Então, será feito um documento para que a Seduc encaminhe toda a folha de pagamento referente aos seis meses desse contrato. Aqui ele desmentiu tudo. Das duas uma: ou ele mentiu ao Tribunal de Contas ou mentiu aqui”, disse Wilker.

Entenda

Todo esse quiprocó começou em abril quando o promotor de Justiça Edilson Queiroz Martins instaurou um inquérito civil público para apurar irregularidades na dispensa de licitação realizada pela Seduc, no valor de R$ 46,6 milhões, para contratação da empresa Dantas Transporte e Instalações Ltda. para o transporte escolar dos alunos da rede pública de Ensino em Manaus e no interior do Estado.

O inquérito foi instaurado depois da ampla repercussão negativa sobre a dispensa de licitação e a tentativa do ex-secretário de Educação, Luiz Castro, justificar aos parlamentares da Assembleia, durante audiência pública, que o valor pago pelos serviços estariam altos por conta, entre outros, da contratação de monitores que acompanhariam os estudantes no trajeto até a escola. Deputados de oposição cobraram provas dessas contratações e nunca receberam.

Em nota ao Radar, a assessoria de comunicação da Seduc disse à época que, “a contratação em caráter emergencial foi feita devido a ausência de contratos para a prestação dos serviços”.