De Carnaval a Peladão: Grupo Calderaro já embolsou mais de R$ 7,6 milhões dos cofres públicos neste ano

Até o momento, em 2019, a TV A Crítica já embolsou mais de R$ 7,6 milhões dos cofres públicos do Estado – está tudo pago! – sob a justificativa de prestar serviços, que vão desde a transmissão do carnaval de Manaus, os Festivais de Parintins e Manacapuru, até publicidade e propaganda no jornal da família Calderaro. Tem até a confecção e impressão do Guia Turístico “Manaus na Palma da Mão” que foram pagas à empresa Editora Cultural da Amazônia Ltda que também faz parte do grupo Calderaro , além do patrocínio para o Peladão 2019 e o iate do programa “A Bordo Reality”.

Segundo o Portal da Transparência do Governo, os pagamentos que chegam a cifra de R$ 7.640.452,31 (sete milhões, seiscentos e quarenta mil, quatrocentos e cinquenta dois reais, trinta e um centavos) foram feitos via Secretaria de Estado de Cultura (SEC) e Empresa Estadual de Turismo (Amazonastur), contemplando às empresas Editora Cultural da Amazônia Ltda,  ERA – Empresa de Radiodifusão Amazônia Ltda e Rádio Jornal A Crítica, ambas do grupo Calderaro.

De acordo com os dados apurados pelo Radar, só da AmazonasTur, a TV A Crítica recebeu mais de R$ 5,9 milhões durante este ano. Os primeiros pagamentos foram feitos logo em fevereiro, quando a pasta pagou R$ 1,3 milhão para a emissora transmitir os desfiles das escolas de samba  de Manaus. Na ocasião, os valores foram divididos em R$ 190 mil; R$ 320 mil e R$ 871 mil distribuídos entre às empresas ERA e a Rádio Jornal.

Em junho de 2019, houve o pagamento de R$ 691 mil para  “prestação de serviço de publicidade e propaganda”, referente ao projeto vem conhecer o Festival – de Parintins – para o Brasil e para o Mundo. Já para transmitir a 54ª edição do Festival Folclórico, a TV A Crítica recebeu mais de R$ 2,2 milhões. Dois meses depois, embolsou quase R$ 400 mil para divulgar e transmitir outro Festival, dessa vez o da Cirandas de Manacapuru.

O Portal também mostrou que o grupo Calderaro por meio da Editora Cultura recebeu, ainda no mês de junho, o montante de R$ 98,3 mil para “publicação de anúncios nos jornais A CRÍTICA e Manaus Hoje, bem como a produção de exibição de Spots nas rádios Jovem Pan e FM O Dia, para promover a marca Amazonas e o Festival de Parintins/2019”. Já no mês passado, a mesma empresa recebeu R$ 166 mil para pagar despesa com “confecção e impressão do Guia Turístico Manaus na Palma da Mão, contendo 296 páginas, com texto original e exclusivo”, diz na descrição do serviço.

No último dia 13, o Radar publicou que Amazonastur tinha empenhado  quase R$ 1 milhão em favor da ERA, com a justificativa de divulgar o “destino Amazonas”, no programa “A Bordo-Reality”, por apenas 15 dias. Agora, o Portal da Transparência mostra que o valor já foi pago.

Peladão

A SEC gastou mais de R$ 1,6 milhão para patrocinar o Peladão 2019, promovido pelo jornal A Crítica. Segundo a publicação de despesas, o valor foi pago em duas vezes: R$ 84.2 mil e R$ 1,5 milhão.

Vale ressaltar que a maioria dos pagamentos feitos a TV A Crítica foram realizados com recurso do Fundo de Fomento ao Turismo, Infraestrutura, Serviços e Interiorização do Desenvolvimento (FTI), que deveria ter sido usado para solucionar o caos no sistema público de saúde do Amazonas.

Quase R$ 12 milhões

No último dia 12 de dezembro, a SEC realizou um pagamento de R$ 11.618.700,76 (onze milhões, seiscentos e dezoito mil, setecentos reais, setenta e seis centavos) à Agência Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC), sem dar detalhes de como esse valor milionário será usado.

No Portal da Transparência, o Radar descobriu que a justificativa dada para tal pagamento não diz nada com coisa nenhuma. A finalidade do repasse, segundo o Governo, é: “com a finalidade básica solicitação de suplementação financeira do Contrato de Gestão AADC para dar continuidade ao apoio e a gestão administrativa (recursos humanos, financeiro, infraestrutura, logística e técnica) das estratégicas e repasse de recursos financeiros e operacionais, bem como dos projetos e programas artísticos e culturais desenvolvidos pelo Governo do Estado por intermédio da SEC, de forma ordinária e extraordinária”.

Mas segundo fontes do Radar, parte desse valor, cerca de R$ 8 milhões também será destinado para o grupo Calderaro, justamente no momento que a saúde pública do Estado enfrenta a maior crise na sua história.