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De olho no segundo turno, adversários atacam Wilson Lima no debate da Rede Amazônica

Era para ser um grande fórum de discussão de propostas para o Amazonas, mas acabou se transformando em um ringue de luta contra um único alvo. Quem assistiu ao debate da Rede Amazônica, realizado nessa terça-feira (2), viu um ataque sistemático de cinco candidatos contra Wilson Lima (PSC), da coligação Transformação por um Novo Amazonas.

Em alta nas pesquisas, o jornalista foi acusado de inexperiente pelos adversários, talvez porque ele já apareça em alguns levantamentos como líder de intenção de voto no primeiro turno e vença todos os adversários nas simulações de segundo turno feitas pela última Pesquisa Ibope.

“Meus principais adversários”, disse Wilson Lima em agenda de campanha nesta quarta-feira (3) em Parque 10, são políticos profissionais, responsáveis em grande parte pela atual situação do Amazonas. “Um deles está em um mandato-tampão e tenta governar o estado pela quinta vez. O outro, quando foi governador, viu a violência explodir e ajudou a eleger o sucessor, que sofreu impeachment e chegou a ser preso por corrupção. O terceiro emenda um mandato no outro na Assembleia Legislativa e teve uma passagem relâmpago e catastrófica pelo governo. É isso que o amazonense não quer mais”.

A cabeleireira Maria do Socorro, 63 anos e mãe de cinco filhos, mora na Cidade Nova e há 20 anos trabalha no Parque 10. Sobre o futuro da política, disse estar cansada de ouvir promessas. “Este ano, a gente tem que mudar. Quem está no poder está fazendo a gente de besta. E nós não somos mais bestas. Meu voto é 20”.

Pedro Jansen, trabalhador autônomo, vive há 13 anos na comunidade do Parque 10. “Os políticos não têm compromisso. As pessoas não podem mais se iludir com um toque no ombro de quatro em quatro anos. Olha como está nossa comunidade, nossos ônibus, as escolas dos nossos filhos. Por isso eu voto na renovação de verdade, que é Wilson Lima. Nunca mais voto nas velhas raposas”.

Rede Amazônica

Sobre o ataque orquestrado dos adversários no debate da Rede Amazônica, Wilson reforça que isso tem acontecido também nas redes sociais e nos grupos de WhatsApp, com disseminação de notícias falsas. “Essa tática rasteira é conhecida. Quando um novo nome ameaça a velha política, eles apelam para a calúnia, a difamação”.

Um dos motivos para o crescimento de sua candidatura, avalia o candidato do PSC, se deve à discussão dos problemas reais da vida das pessoas. “Não adianta apresentar programa importante pela sua sigla. Isso é coisa de burocrata, que fala difícil para parecer que sabe das coisas, mas acabando excluindo milhares de pessoas da discussão”, diz Wilson Lima.

“Estamos quebrando esta lógica perversa que há décadas vigora na política do nosso estado. Se o Amazonas me der a honra de vencer a eleição, meu governo será transparente não só no combate à corrupção e no bom uso do dinheiro público, coisa que jamais existiu por aqui; será transparente também no diálogo com a população”, avalia o candidato do PSC.

Rombo nas contas estaduais

No primeiro bloco, em resposta ao governador-tampão e candidato a reeleição Amazonino Mendes sobre os limites de gastos governamentais previstos na Lei de Responsabilidade Fiscal, o candidato do PSC afirmou que o estado já comprometeu quase todo seu orçamento em 2018. Isso pode pode gerar mais de R$ 1,2 bilhão de déficit até o fim do ano, pondo em risco o pagamento dos salários dos servidores estaduais e o cumprimento de compromissos com fornecedores.

Em sua réplica, Amazonino afirmou que o seu interlocutor abordava dados “de caráter duvidoso”. No entanto, de acordo com dados disponíveis no Portal da Transparência do próprio Governo do Estado, a dotação orçamentária inicial era de R$ 15,3 bilhões para 2018, mas as despesas autorizadas já ultrapassam R$ 17,5 bilhões.

“É uma conta muito simples. Se o orçamento é de 15 bilhões, não se pode gastar 17 bilhões. Não inventei este número na minha cabeça, qualquer cidadão pode conferir no Portal da Transparência. Mas o governador finge que não é com ele, diz que a saúde financeira do Amazonas vai bem, obrigado. É esta pessoa que quer governar nosso estado pela quinta vez?”, questiona Wilson Lima.

Como se não bastasse, Amazonino afirmou ainda que Wilson Lima desconhecia o Limite Prudencial da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Em sua tréplica, porém, o candidato do PSC demonstrou não apenas conhecer o conceito, que estabelece limites para gastos com pessoal, como afirmou que o atual governo também já extrapolou esse limite. “Eu não sei se sua equipe já lhe informou, mas o limite prudencial com gasto de pessoal já foi ultrapassado. E isso me preocupa muito. Porque no momento em que você ultrapassa esse limite, o estado do Amazonas acaba sofrendo sanções severas e acaba comprometendo o serviço do cidadão”, declarou.

O limite prudencial estabelecido pela LRF para gastos com pessoal é de 46,55%. De acordo com dados do Portal da Transparência, no primeiro quadrimestre esse valor já se encontrava na casa de 47,10%.

Matéria de responsabilidade da assessoria do candidato