Defensoria Pública inspeciona hospitais e chega a conclusões como: “atendimento medieval” e “negligência criminosa”

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hospital-lotado-3Um documento, datado de 16 de novembro deste ano, que chegou ao Radar traz o resultado de inspeção feita pela 1ª Defensoria Pública Especializada em Atendimento de Interesses Coletivos, Defensoria Pública de Direitos Humanos e pela Defensoria Pública Especializada da Saúde, nos hospitais 28 de Agosto, Dr. João Lúcio e Platão Araújo. As conclusões são estarrecedoras: ausência de pessoal, equipamentos e instrumental mínimo, negligência criminosa, improbidade flagrante e violação aos mínimos direitos fundamentais dos cidadãos (ver documento no final da matéria).

Segundo os defensores públicos Carlos Alberto Souza de Almeida Filho, Roger Moreira de Queiróz e Danilo Germano Ribeiro Penha, a inspeção realizada no dia 24 de outubro, dia do Aniversário de Manaus, foi consequência de “comunicação de que as unidades hospitalares da capital se encontravam em severo grau de deficiência, com ausência de profissionais, medicamentos, equipamentos e instrumental mínimo para o atendimento das ocorrências”.

No “raio x” realizado pelos defensores públicos, esse foi o quadro encontrado no Hospital e Pronto Socorro 28 de Agosto: “ É tão escancarada a falta de medicamentos que se afixam diariamente a lista dos medicamentos e a quantidade de pessoas que deles se podem usar! No atendimento de trauma os equipamentos estão em péssimas condições, sem acolchoamento e completamente enferrujados! Também são comuns a falta de gesso, gases e talas! Ainda mais chocante é o fato de pacientes, dos mais variados estados, encontrarem-se aguardando nas zonas de recuo das escadas e elevadores, por onde há grande fluxo de pessoas, bem como de lixo hospitalar”.

E a cada relato feito pelos defensores públicos, a situação vai ficando mais assustadora. Eles apontam para um risco fatídico de morte por infecção hospitalar: “No João Lúcio se constatou a falta de material de higiene e demais antissépticos, como povidine! Há falta frequente de luvas, seringas, gaze, lençóis. Há salas de espera com dezenas de paciências em condições degradantes, com único banheiro para uma enorme quantidade de pessoas, banheiros grotescos, com lodo, sem tranca, sem banco, sem travas de apoio, sem chuveiro, a obrigar as pessoas a tomarem banho com uso de potes! O conforto é zero: os acompanhantes são obrigados a dormir no chão!”

Ainda no João Lúcio, os defensores constataram que “incontáveis são os pacientes que esperam por dias, semanas, meses e até, pasme-se, anos, por procedimentos cirúrgicos” e que estão “atrasados os salários seguranças, auxiliares de serviços gerais, e demais auxiliares de saúde”.

Já no hospital Platão Araújo, o caos na saúde atinge seu estado mais crítico, relatam os defensores: “No Platão Araújo se constatou o mesmo quadro dos demais hospitais, ainda mais agravado porque não havia ar-condicionado em  diversas enfermarias, estando alguns pacientes inclusive sob sol escaldante”.

Caos e escárnio

Os defensores públicos Carlos Alberto Souza de Almeida Filho, Roger Moreira de Queiróz e Danilo Germano Ribeiro Penha nominam o que encontraram durante a inspeção nos hospitais públicos de “caos e negligência dos agentes do Estado com a saúde e a vida da população amazonense” e questionam “não ser compatível com as propagandas do Governo do Estado do Amazonas” que mostram a regularidade dos serviços prestados na saúde pública.

“A certeza que se tem é de que a vida da população é ignorada pelos gestores das unidades hospitalares, pela Secretaria de Estado da Saúde e pelo Chefe do Executivo do Estado do Amazonas”, explicam. Eles chegam a descrer que esses gestores tenham conhecimento que a propaganda está em total contradição com o que ocorre nos hospitais públicos porque, caso tenham conhecimento, “as propagandas difundidas na mídia são escancarado escárnio – desdém ou menosprezo – para com a população, com o erário e com a probidade administrativa – euzinha aqui digo que é escánio mesmo, né gente?

Os defensores vaticinam que “um acidente nesta cidade pode significar uma sentença de morte ou de lesões permanentes causadas, não pelo sinistro, mas sim pelas medievais estruturas disponíveis à população”. Eles dão dez dias para que o Governo do professor Melo responda há vários questionamentos e dizem que há elementos para “responsabilização civil, funcional e criminal dos agentes encarregados pela saúde pública”. (Any Margaareth)

DOCUMENTO DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DO AMAZONAS